Acre
Moradores de Epitaciolândia esperam até seis dias para receber água por causa de seca em igarapé
Serviço de Água e Esgoto do Acre (Saneacre) em Epitaciolândia afirma que Igarapé Encrenca, principal curso de água que abastece a cidade, está com um um fluxo de apenas 14 litros por segundo, sendo que o necessário para abastecer cidade seria 80 litros por segundo.

Igarapé Encrenca, que abastece cidade de Epitaciolândia, está visivelmente vazio. Foto: Erisson Cameli/Arquivo pessoal
Com Hellen Monteiro
Moradores da cidade de Epitaciolândia, estão sofrendo com risco de desabastecimento de água após a seca que fez com que o Igarapé Encrenca, curso de água que abastece a cidade, ficasse praticamente vazio. Por isso, foi estabelecido racionamento e os moradores agora precisam aguardar até seis dias para receberem água em casa.
De acordo com Erisson Cameli, gerente do Serviço de Água e Esgoto do Estado do Acre (Saneacre) no município, o igarapé apresenta uma vazão muito baixa e não está sendo possível abastecer a cidade de dois em dois dias, como era feito anteriormente.
Ainda segundo o gerente, neste momento de seca, está sendo necessário parar de escoar a água por 24 horas para esperar o igarapé “se recuperar” e retomar a retirada por mais 24 horas.
“Isso faz com que a intermitência, que é o tempo que levamos para abastecer os bairros novamente, passe a ser até de 6 dias e a tendência é de que a situação se agrave”, afirma Cameli.
O gestor comenta que a medição no igarapé é feita de uma forma diferente da que é feita em grandes rios.
“A medição que nós fizemos é a seguinte: o igarapé tem um fluxo, tem uma vazão, ali passa uma quantidade de litros que a gente utiliza por segundo. O Igarapé Encrenca está oferecendo apenas 14 litros por segundo em um ponto bem acima, mas a gente precisa de 80 litros por segundo para abastecer a cidade“, afirma.
Cameli comunica que estudos entre Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e Saneacre estão sendo feitos para que alternativas sejam pensadas para que a população não fique desabastecida.
“O Saneacre está vendo uma fonte alternativa, estudos já estão sendo feitos para que a gente possa captar isso de uma outra fonte e repor a vazão que hoje não tem, com isso voltar as atividades normais ou pelo menos minimizar substancialmente os efeitos da seca na cidade de Epitaciolândia “, explica.
O gerente lamenta o momento vivido pelo município e relata que o órgão busca soluções para o problema. “Estamos trabalhando com todas as áreas que a gente tem, para que a gente faça tudo dentro do trâmite certo e tenhamos um resultado positivo dentro de um prazo curto para que a população possa deixar de passar tanto tempo sem receber água”, garante.
Moradores estão cavando poços para tentar encontrar água
A situação dramática tem feito com que os próprios moradores da cidade tentem encontrar outras soluções para garantir o abastecimento.

Em alguns bairros de Epitaciolândia, moradores estão cavando poços e dividindo a água com vizinhos. Foto: Isnaydle Martins
“Os moradores estão se virando nos 30 e fazendo poços artesianos, atrás de minas de água”, conta Isnaydle Martins, que vive na cidade. Ainda segundo ele, a situação fez aumentar a solidariedade na comunidade, já os donos dos poços criam estratégias para compartilhar a água com os vizinhos.
A situação, porém, é mais grave nas áreas periféricas como as áreas conhecidas como Assentamento da Nazinha e Guasco.
“Esses dois assentamentos sofrem com a escassez de água. Em alguns locais não têm água encanada e falta. Visitei algumas ‘invasões’ e os moradores estavam reclamando porque não conseguem encher as caixas d’água”, relata Martins.
Acre vive situação de emergência por causa da seca
Todos os 22 municípios do Acre estão em situação de emergência por causa da seca extrema que tem afetado todas as bacias hidrográficas do estado. Em algumas cidades e comunidades ribeirinhas o risco de desabastecimento tem sido constante, segundo relatos de moradores.

De acordo com a Defesa Civil Estadual, já são mais de 387 mil pessoas afetadas nas zonas urbana e rural da capital. Foto: internet
Em Marechal Thaumaturgo, o combustível está custando R$ 10,50 e a botija de gás pode sair por até R$ 200, quando tem.
Nas cidades banhadas pela bacia do Rio Acre, principal manancial do estado, a situação também é crítica. Na capital, Rio Branco, o nível das águas chegou a 1,30 nesta sexta-feira (30), se igualando ao 2º menor nível da história, registrado em 2016, e está a apenas 5 centímetros da maior seca de Rio Branco, 1,25 em outubro de 2022.
De acordo com a Defesa Civil Estadual, já são mais de 387 mil pessoas afetadas nas zonas urbana e rural da capital.
Esta situação generalizada perdura há dois meses. Já o manancial em Rio Branco se encontra abaixo de 4 metros há mais de três meses.
Já em Brasiléia, a aproximadamente 230 km da capital, o rio, que há seis meses chegou a 15,58 metros e inundou 80% da área urbana, chegou nesta sexta-feira a medir apenas 69 centímetros e sem tendência de crescimento, já que não há previsão de chuvas.
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Acre
Vereadores de Brasiléia participam do lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida Rural com 50 unidades habitacionais
Foi realizado nesta quarta-feira (28) o lançamento oficial do programa Minha Casa, Minha Vida Rural, na sede da Associação do Polo Agroflorestal Wilson Pinheiro, em Brasiléia. O evento reuniu autoridades estaduais, municipais e representantes da comunidade rural.
A iniciativa é do Governo Federal, com aprovação do Governo do Estado do Acre e da Prefeitura de Brasiléia, e prevê a aquisição de 50 unidades habitacionais destinadas a famílias da zona rural, fortalecendo as políticas públicas de habitação no município.

Presidente da Câmara Municipal de Brasiléia, vereador Marquinhos Tibúrcio, que ressaltou a importância do programa
O lançamento contou com a presença do presidente da associação, Márcio, além do secretário de Estado de Habitação e Urbanismo, Aglelson, que representou o Governo do Estado. Também participou o presidente da Câmara Municipal de Brasiléia, vereador Marquinhos Tibúrcio, que ressaltou a importância do programa para garantir moradia digna às famílias do campo e promover mais qualidade de vida à população rural.
O evento ainda reuniu os vereadores Almir Andrade, Beto Dantas, Djahilson Américo, Careca Gadelha, Lucélia Borges e Jorge da Laura, que reforçaram o apoio do Legislativo Municipal à iniciativa.
Segundo os organizadores, o programa representa um avanço significativo para o fortalecimento da habitação rural em Brasiléia, contribuindo para a permanência das famílias no campo e o desenvolvimento sustentável das comunidades agroflorestais.
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Acre
Prefeitura de Rio Branco realizará palestra sobre saúde mental em alusão ao Janeiro Branco
Acre
Emergência: Rio Acre volta a ultrapassar cota de alerta em Brasiléia em menos de 15 dias e após a enchurrada de 143 mm de chuva
Menos de 15 dias após o Rio Acre ultrapassar, pela primeira vez neste ano, a cota de alerta em Brasileia, o nível do manancial voltou a preocupar autoridades e moradores da região de fronteira. A apreensão também aumenta após a forte enxurrada registrada nesta semana no município, que acumulou 143 milímetros de chuva.
Na noite desta quinta-feira (29), às 22h, o manancial ultrapassou novamente a cota de alerta, atingindo 9,81 metros. De acordo com os órgãos de monitoramento, caso as chuvas intensas persistam, há possibilidade de o rio alcançar a cota de transbordamento de 11,40 metros nos próximos dias, o que ocorreria pela primeira vez em 2026.
Conforme dados oficiais do monitoramento hidrológico e geológico realizados no município, o Rio Acre já havia atingido a cota de alerta no último dia 14 de janeiro. O histórico recente aumenta a apreensão, já que Brasiléia enfrentou quatro episódios de alagação, sendo o mais severo registrado em 2024.
Diante do cenário, o prefeito Carlinhos do Pelado destacou que a gestão municipal está em alerta máximo. “Estamos monitorando o nível do rio em tempo real e mobilizando todas as equipes para dar resposta rápida à população. Nossa prioridade é proteger vidas e garantir assistência às famílias que já sofrem com os impactos das chuvas”, afirmou o prefeito.
Na mesma quinta-feira, o gestor anunciou o cancelamento do Carnaval 2026 promovido pelo poder público e decretou situação de emergência no município. Segundo Carlinhos do Pelado, a medida é necessária para agilizar os trâmites legais e garantir suporte imediato às comunidades afetadas. “Não é uma decisão fácil, mas é responsável. Precisamos direcionar recursos e esforços para atender mais de 500 famílias isoladas, além de minimizar os prejuízos causados pela enxurrada”, ressaltou.
A situação atinge moradores de ramais, ribeirinhos e comunidades localizadas na Reserva Extrativista Chico Mendes, especialmente nos quilômetros 59, 60 e 13. Também há cerca de 20 aviários de frango sem acesso, comprometendo a atividade produtiva local.
O coordenador municipal da Defesa Civil, major Sandro, explicou que os danos à infraestrutura são significativos. “O levantamento preliminar aponta a destruição de 20 linhas de bueiros, tanto na zona urbana quanto na rural, além de 10 pontes que desabaram ou tiveram o acesso interrompido após o desmoronamento das cabeceiras. Outras estruturas ainda estão submersas, o que dificulta o tráfego e o atendimento às comunidades”, detalhou.
Segundo a Prefeitura de Brasiléia, a estimativa inicial é de que os prejuízos ultrapassem R$ 1,5 milhão. Os impactos afetam diretamente o escoamento da produção agrícola e extrativista, como castanha e borracha, além do deslocamento diário dos moradores.
A população pode solicitar apoio diretamente à Defesa Civil Municipal pelo telefone (68) 99250-8970 ou ao Corpo de Bombeiros pelo número (68) 3546-5743. A Prefeitura orienta ainda que os moradores acompanhem os canais oficiais nas redes sociais para receber informações atualizadas e confiáveis sobre a situação do rio e as ações emergenciais em andamento.















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