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O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), antecipou a volta a Brasília para tratar dos desgastes provocados pelo caso Banco Master. O magistrado, que ainda está de férias (o recesso do Judiciário acaba no final deste mês de janeiro), já mantinha conversas com outros ministros da Corte sobre a crise, mesmo distante da capital federal.
Ainda assim, optou por interromper o descanso para gerenciar o momento delicado para os magistrados do Supremo, com o caso Master em evidência.
O estopim da crise tem como personagem o relator do inquérito do caso Master, Dias Toffoli. Ele tem sido pressionado por segmentos da política e foi alvo de reclamações de delegados da Polícia Federal (PF), especialmente após a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, quando determinou que as provas obtidas na operação ficassem sob a guarda da Procuradoria-Geral da República (PGR), e não da autoridade policial.
Fachin já conversou com oito dos atuais 10 ministros que compõem a Corte, entre eles o próprio Dias Toffoli. Os outros são Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Nunes Marques, Cristiano Zanin, André Mendonça e Cármen Lúcia.
Fachin tratou da repercussão do caso Master e dos desgastes que o Supremo tem tido com a Polícia Federal (PF) e com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O único ministro com quem Fachin ainda não tratou do tema é Flávio Dino, que está no Maranhão por motivos pessoais. O presidente da Corte, inclusive, embarca nesta terça-feira (20/1) para o estado, onde conversará pessoalmente com o colega.
Além do caso Master, Fachin discutiu com esses ministros a criação de um “código de conduta” para integrantes do STF e de outros tribunais superiores do país.
Fachin já externou que conta com o apoio de alguns ex-ministros, especialmente dos ex-presidentes Celso de Mello e Rosa Weber. A proposta é inspirada em modelos adotados por cortes alemãs, mas enfrenta resistência interna, conforme mostrou o Metrópoles na coluna do Igor Gadelha, em dezembro do ano passado.
O retorno de Fachin ocorre em um momento em que uma ala da política de Brasília defende que Toffoli deixe a relatoria do caso Master no STF.
Toffoli tem sido alvo de reclamações de delegados da Polícia Federal, especialmente após a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, quando determinou que as provas obtidas na operação ficassem sob a guarda da PGR, e não da autoridade policial.
O ministro, no entanto, tem comentado com pessoas próximas e com outros ministros da Corte que não cogita deixar a relatoria do caso Banco Master.
Toffoli, segundo apurou o Metrópoles, reforçou a essas pessoas que não há motivos para se declarar impedido ou suspeito no inquérito que tramita na Corte, hoje alvo de críticas de alguns setores da política em Brasília.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL