Apontada como um dos cérebros da organização criminosa que montou um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS – caso revelado pelo Metrópoles – a advogada Cecília Rodrigues Mota, presa nesta terça-feira (17/3) na Operação Indébito, presenteou o marido com dinheiro e um carro de luxo.
Segundo o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, Cecília era responsável por conferir aparência de legalidade às fraudes, coordenar operações financeiras ilícitas e intermediar relações com agentes públicos.
Na decisão do ministro, há a revelação de que a advogada usou recursos conseguidos de forma ilegal para presentear o marido, Charles Góes Freitas, “beneficiário direto no esquema de lavagem de capitais investigado”, com valores em torno de R$ 2 milhões, em pouco menos de 3 anos, e com um carrão: um Ford Mustang Mach-E GT.
O veículo, avaliado em cerca de R$ 400 mil está estacionado na garagem do imóvel pertencente ao casal, mas não foi apreendido durante o cumprimento do da Operação Indébito.
Um dos alvos da Operação desta terça, comandada pela PF e pela Controladoria-fgeral da União (CGU), é deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE), que sofreu buscas em seus endereços e vai precisar usar tornozeleira eletrônica.
Já os mandados de prisão foram para o empresário Natjo de Lima Pinheiro e a advogada Cecília Rodrigues Mota. Segundo a apuração, eles atuavam com o apoio de testas de ferro para movimentar os valores.
A ação é um desdobramento da Operação Sem Desconto e tem como foco aprofundar as investigações sobre possíveis irregularidades na inclusão de cobranças indevidas em benefícios previdenciários.
Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, além de dois mandados de prisão e outras medidas cautelares, no Distrito Federal e no Ceará.
De acordo com as investigações, o grupo é suspeito de inserir dados falsos em sistemas oficiais para viabilizar descontos indevidos em aposentadorias e pensões – prática que pode ter atingido beneficiários em diferentes regiões do país.
Os investigados também são suspeitos de integrar organização criminosa, além de responder por estelionato previdenciário e por ocultação e dilapidação de patrimônio.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL