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As Forças Armadas da Venezuela, por meio do ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, manifestaram um posicionamento inequívoco de apoio à estrutura de poder nacional ao reconhecerem Delcy Rodríguez como presidente interina. Esta declaração veio acompanhada de uma veemente rejeição à intervenção dos Estados Unidos no país. Padrino López condenou a captura do presidente Nicolás Maduro por forças norte-americanas, exigindo sua libertação imediata e classificando o ataque como uma “ameaça global” que transcende as fronteiras venezuelanas e afeta a estabilidade regional e internacional.
O ministro enfatizou a natureza da intervenção, descrevendo-a como uma “pretensão colonialista” alinhada ao espírito da Doutrina Monroe, que historicamente tem justificado a ingerência norte-americana na América Latina e no Caribe. Esta retórica sublinha a percepção de uma violação da soberania nacional, ecoando episódios anteriores de intervenção direta dos EUA na região, como a invasão do Panamá em 1989 que resultou na captura de Manuel Noriega. A postura militar venezuelana, portanto, posiciona-se como uma defesa intransigente da autonomia e autodeterminação do Estado.
O rechaço à intervenção externa é solidificado pela alegação de que as ações estadunidenses visam não apenas a mudança de regime, mas também o controle geopolítico sobre a Venezuela. Críticos apontam que o movimento pode ter como objetivo afastar o país de alianças com potências como China e Rússia, além de garantir o acesso e controle sobre as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. Ao mesmo tempo, o ministro Padrino López apelou à população para que retome suas atividades, um gesto que busca restaurar a normalidade e coesão interna frente à adversidade externa e assegurar a soberania nacional.
A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, juntamente com sua esposa Cilia Flores, marcou um momento de alta tensão na política internacional, sendo realizada por forças de elite norte-americanas no sábado (3). O episódio ocorreu em meio a relatos de diversas explosões em bairros da capital venezuelana, Caracas, antes de Maduro e Flores serem levados para Nova York. Este evento foi prontamente repudiado pelo Ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, que classificou a ação como “uma ameaça global” e exigiu a imediata libertação do presidente capturado. A detenção de Maduro é vista como um novo capítulo de intervenções diretas dos Estados Unidos na América Latina, relembrando a invasão do Panamá em 1989, que culminou no sequestro do então presidente Manuel Noriega sob acusações de narcotráfico.
As acusações formuladas pelos Estados Unidos contra Nicolás Maduro ecoam o precedente de Noriega, baseando-se na alegação de que o líder venezuelano chefia um suposto cartel de drogas conhecido como “De Los Soles”. Contudo, a ausência de provas concretas que sustentem essa acusação tem sido um ponto de controvérsia, com especialistas em tráfico internacional de drogas questionando publicamente a própria existência de tal cartel. Previamente à captura, o governo do ex-presidente Donald Trump havia intensificado a pressão sobre Maduro, oferecendo uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à sua prisão, evidenciando a gravidade das intenções norte-americanas.
Além das acusações formais, a ação contra Maduro é amplamente interpretada por críticos como uma manobra geopolítica estratégica dos Estados Unidos. Tais analistas sugerem que o objetivo primordial seria isolar a Venezuela de seus aliados globais, notadamente China e Rússia, e, concomitantemente, assegurar um maior controle sobre as vastas reservas petrolíferas do país, que detém as maiores reservas comprovadas do planeta. Esta perspectiva adiciona uma camada de complexidade à narrativa oficial, sugerindo motivações que transcendem as acusações de narcotráfico e apontam para interesses estratégicos mais amplos na região.
A recente ação dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou na captura do presidente Nicolás Maduro, ressoa com ecos de uma longa história de intervenções diretas na América Latina, evocando a controversa Doutrina Monroe. Este episódio é percebido por muitos como mais um capítulo na busca de Washington por influência regional, alinhado a um padrão de segurança e interesses econômicos que moldaram a política externa americana no hemisfério. A retórica de ‘ameaça global’ utilizada por autoridades venezuelanas, em resposta à intervenção, sublinha a profundidade da tensão e a interpretação de que o evento transcende as fronteiras do país sul-americano, configurando uma pretensão colonialista sobre a América Latina e o Caribe, conforme declarado por Caracas.
Historicamente, o precedente mais notável para a atual situação venezuelana remete à invasão do Panamá em 1989, quando forças norte-americanas capturaram o então presidente Manuel Noriega sob acusações de narcotráfico. A similaridade é marcante: Maduro, assim como Noriega, foi alvo de acusações de liderar um suposto cartel – o ‘De Los Soles’ – por parte dos EUA, sem apresentação pública de provas conclusivas que sustentassem tais alegações. A recompensa de US$ 50 milhões oferecida por informações que levassem à prisão de Maduro reforça a natureza extraordinária e, para muitos críticos, a motivação política por trás da investida, replicando táticas de pressão já vistas na região.
As motivações geopolíticas por trás da ação americana são amplamente debatidas por especialistas. Críticos apontam que a intervenção é uma medida estratégica para afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos, como a China e a Rússia, países que têm fortalecido laços econômicos e militares com Caracas. Além disso, o controle sobre as vastas reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo, é frequentemente citado como um fator primordial. A instabilidade política e a subsequente intervenção poderiam abrir caminho para uma reorientação da política energética venezuelana, beneficiando indiretamente os interesses estratégicos e econômicos de Washington na região, reforçando a esfera de influência americana no continente.
Em um cenário de profunda instabilidade política e vácuo de poder, o Supremo Tribunal de Justiça (TSJ) da Venezuela emergiu como um ator crucial na definição da linha sucessória presidencial. Sua decisão de que Delcy Rodríguez, então vice-presidente executiva, deveria assumir a presidência interina do país, após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, sublinha o papel central que o tribunal assume em momentos de crise institucional. Constitucionalmente, o TSJ é a máxima instância judicial do país, responsável por garantir a supremacia da Constituição e a interpretação das leis, incluindo aquelas que regem a sucessão presidencial e a estabilidade democrática.
A atuação do TSJ nestas circunstâncias baseia-se na sua competência para dirimir conflitos de poderes e interpretar a Constituição, especialmente os artigos que preveem as causas de ausência absoluta do Presidente da República e a consequente assunção do vice-presidente ou de outras autoridades previstas na linha sucessória. Em um sistema presidencialista como o venezuelano, a legitimidade da sucessão é vital, e a chancela do mais alto tribunal é, em teoria, fundamental para conferir validade legal e institucional à transição de poder, preenchendo o vazio deixado pela ausência do líder eleito.
A validação da posse interina de Delcy Rodríguez pelo TSJ teve o efeito imediato de proporcionar um respaldo jurídico interno à sua ascensão, mesmo diante de um cenário internacional de condenação e de incertezas. A celeridade da decisão do tribunal reflete a urgência em preencher o vácuo de poder, buscando assegurar a continuidade do Estado e de suas instituições perante uma intervenção estrangeira e uma crise interna. Este tipo de pronunciamento judicial é, portanto, um pilar fundamental na tentativa de estabilizar a governabilidade em momentos de excepcionalidade, embora em um contexto de polarização política, a independência e as decisões do TSJ frequentemente se tornem objeto de intenso escrutínio e controvérsia.
O reconhecimento de Delcy Rodríguez como presidente interina pelas Forças Armadas venezuelanas, em meio à captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, deflagrou uma onda de reações na comunidade internacional, especialmente na esfera regional. O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, foi enfático ao rechaçar a intervenção norte-americana, classificando-a como uma “ameaça global” e uma “pretensão colonialista” alinhada à Doutrina Monroe sobre a América Latina e o Caribe. Essa condenação encontrou eco imediato em diversas nações da região, que se mobilizaram para expressar sua preocupação e defesa da soberania venezuelana.
Em um movimento significativo de solidariedade regional, o Brasil, em conjunto com outros cinco países, emitiu um comunicado formal condenando veementemente o ataque à Venezuela. Adicionalmente, o Ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, participou de uma reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) dedicada a discutir a grave crise venezuelana, sublinhando a preocupação coletiva com a soberania e a estabilidade da região. A ação militar estadunidense, que evoca precedentes como a invasão do Panamá em 1989 e a captura de Manuel Noriega, reforça a percepção de uma violação da autodeterminação dos povos latino-americanos e caribenhos, gerando forte repúdio e ativando mecanismos diplomáticos de defesa regional.
A postura dos Estados Unidos, que através de figuras como Marco Rubio sinaliza que Washington “trabalhará com a Venezuela se o país tomar decisões certas”, é interpretada por críticos como uma tentativa de ditar a governança interna venezuelana. Esta dinâmica acentua as repercussões geopolíticas do evento, sendo vista como uma estratégia para distanciar a Venezuela de aliados globais como China e Rússia, além de garantir maior controle sobre as vastas reservas petrolíferas venezuelanas. A crise, portanto, transcende as fronteiras, tornando-se um teste para a capacidade da comunidade regional de defender seus princípios de não-intervenção e soberania frente a ações consideradas unilaterais e hegemônicas.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br