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Decisão de desembargadora que suspendeu debate no Acre foi arbitrária e gera insegurança política, diz especialist

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Weslei Machado é promotor de Justiça e especialista em direito eleitoral. Desembargadora mandou suspender transmissão do debate para que candidato, sem representatividade no Congresso, participasse contrariando a lei federal e uma resolução do TSE.

Debate no Acre foi suspenso após decisão judicial — Foto: Irya Rodrigues/g1

Promotor eleitoral fala sobre decisão judicial que suspendeu debate na Rede Amazônica

“Essa é uma espécie de decisão que é extremamente grave porque, fundada apenas em princípios sem que nós tivéssemos qualquer apresentação da razão pela qual aqueles princípios justificariam o afastamento de uma decisão legal. Nós temos uma lei que já trata sobre essa participação de candidatos ou não em debates, nós temos uma resolução do TSE a qual são vinculados os juízes dos tribunais regionais eleitorais e essa resolução tem critérios objetivos e não se pode admitir que, com base em princípios, em abstrações, sem uma fundamentação mais relevante, seja possível afastar regras aplicáveis em todo o Brasil. Isso gera uma grande insegurança política, porque no estado A a gente chega a uma conclusão e no estado B a outra conclusão. Para o eleitorado, isso gera uma perplexidade, além de retirar dos eleitores a possibilidade de ter acesso a um instrumento tão importante que é o debate, aquele momento de confrontação e exposição de ideias, que é o debate realizado pelas emissoras de rádio e televisão.”

Essa foi a análise feita pelo promotor de Justiça e especialista em direito eleitoral Weslei Machado, entrevistado no JAC1 desta quarta-feira (28), sobre a decisão judicial da desembargadora Denise Castelo Bonfim, que determinou a participação do candidato David Soares Hall, do partido Agir, sem representação no Congresso Nacional.

O debate chegou a ocorrer na noite de terça-feira (27) por dois blocos. Pela lei 9.504/97, artigo 46, independentemente da veiculação de propaganda eleitoral gratuita no horário definido, é facultada a transmissão por emissora de rádio ou televisão de debates sobre as eleições majoritária ou proporcional, assegurada a participação de candidatos dos partidos com representação no Congresso Nacional, de, no mínimo, cinco parlamentares, e facultada a dos demais.

Machado destacou ainda que um juiz não seguir o que já preconiza a lei eleitoral e que há também uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral pode gerar uma insegurança eleitoral. Disse ainda que a não apresentação dos argumentos que fundamentaram a decisão mostram a fragilidade.

“Estamos diante de uma decisão judicial que está minimamente fundamentada de forma equivocada e contrariamente ao que diz a resolução do TSE e a uma lei federal, que é a lei das eleições. Há um questionamento de quando estamos diante de decisões judiciais se é possível reconhecer a violação de algum dever funcional por parte de um juiz. Segundo o entendimento mais adequado, se essa decisão é flagrantemente violadora de regras objetivas, de uma lei federal, de uma resolução do TSE, ao qual o TRE está vinculado, seria possível questionar a prática de uma infração disciplinar por parte do magistrado e, é claro, que é possível acessar, tanto o Conselho Nacional de Justiça, quanto à Corregedoria, para se apontar esse excesso praticado pelo magistrado, que a despeito de lei, a despeito de resolução do TSE, deixou de lado essas regras objetivas para dar uma decisão contrariamente ao que aconteceu no resto do Brasil inteiro”, destacou o especialista.

Em nota, a Rede Amazônica repudiou a decisão desembargadora e disse que não foi possível retomar o debate devido ao tumulto causado por parte do candidato. (Veja a nota na íntegra abaixo)

“Infelizmente, no Acre, a desembargadora Denise Castelo Bonfim, contrariando a legislação brasileira, concedeu liminar, faltando dez minutos para o início do debate, para que o candidato David Hall participasse do evento. O maior prejudicado por estas decisões judiciais foi o eleitor acreano que não pode concluir suas avaliações a respeito das propostas dos candidatos convidados para o debate, uma vez que foi necessário encerrar o evento em função da confusão que foi formada dentro da emissora por parte do candidato. A Rede Amazônica repudia a arbitrariedade perpetrada pela juíza e informa que irá adotar todos os recursos judiciais cabíveis, bem como, representará no Conselho Nacional de Justiça pelo evidente abuso de autoridade ocorrido no Acre, que impediu o debate com os candidatos com representatividade no congresso nacional”, diz a nota da emissora.

Emissora repudia decisão que suspendeu debate no Acre e vai entrar com recursos judiciais

O promotor de Justiça e especialista em direito eleitoral Weslei Machado também disse que o encerramento do debate em decorrência da decisão trouxe prejuízos à imagem da empresa, que agia dentro da legalidade.

“A lei diz que as emissoras de rádio e televisão, além do horário eleitoral gratuito, podem se utilizar desse instrumento, mas houve uma proibição. Houve uma decisão judicial arbitrária, então, neste caso, é possível sim o ajuizamento de uma série de medidas. Nós temos recursos e é possível a impetração de mandado de segurança e até mesmo questionar se nós não tivemos uma violação de direitos da emissora de televisão, o que justificaria até mesmo uma propositura de uma ação indenizatória tentando responsabilizar a União por um ato de um servidor, o juiz no exercício de uma função eleitoral que impediu que uma emissora de rádio e televisão validamente pudesse utilizar esse instrumento legalmente permitido. Isso, claro que trouxe prejuízos à imagem, honra objetiva da emissora de televisão e, claro, que se a gente tem prejuízo de um lado e tem o ato flagrantemente ilegal de outro é possível que se busque essa indenização, possível que se utilize dos instrumentos recursais para combater essa decisão judicial.”

No entanto, o grande prejuízo foi o eleitor, que só teve acesso à parte das propostas e posicionamentos dos candidatos, uma vez que de quatro blocos, apenas dois foram ao ar.

“Um grande prejuízo para os eleitores acreanos. Esse é um prejuízo irreparável, porque, considerando o curto espaço de tempo até a eleição, não se é possível organizar um evento dessa grandeza, então os eleitores acreanos tiveram a violação de um direito de ter acesso às propostas, posicionamentos, a vida pessoal de seus candidatos. Os eleitores acreanos tiveram sim uma afronta a um direito deles enquanto cidadãos por causa do impedimento da realização de um debate e esse prejuízo vai impedir e também dificulta a formação da convicção do eleitor para votar nesse ou naquele candidato, de uma forma que não é mais possível a gente conseguir trazer a possibilidade de reparar esse dano que foi provocado. Estamos diante de um prejuízo à democracia, porque é salutar em uma democracia a realização de debates, é importante instrumento, então prejudicou-se a democracia, os eleitores para terem acesso às informações que seriam disponibilizadas ontem na parte final do debate”, finaliza.

A Rede Amazônica entrou em contato com a assessoria de comunicação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AC) para pedir um posicionamento sobre a decisão da desembargadora Denise Bonfim, que suspendeu o debate da Rede Amazônica com os candidatos ao governo do Acre, que informou que a decisão foi monocrática da desembargadora, ou seja, uma decisão proferida apenas pela magistrada.

“A Rede Amazônica preparou um grande debate com os candidatos ao governo do Acre, na noite desta terça-feira [27], seguindo o cronograma nacional das emissoras afiliadas a Rede Globo. Como prevê a lei eleitoral, foram convidados os candidatos com representatividade de, no mínimo, cinco cadeiras no Congresso Nacional. Em todas as outras emissoras em Rondônia, Roraima, Amapá e Amazonas, os debates transcorreram normalmente, uma vez que a lei foi criteriosamente cumprida. Infelizmente, no Acre, a desembargadora Denise Castelo Bonfim, contrariando a legislação brasileira, concedeu liminar, faltando dez minutos para o início do debate, para que o candidato David Hall participasse do evento. Infelizmente, o maior prejudicado por estas decisões judiciais foi o eleitor acreano que não pode concluir suas avaliações a respeito das propostas dos candidatos convidados para o debate, uma vez que foi necessário encerrar o evento em função da confusão que foi formada dentro da emissora por parte do candidato. A Rede Amazônica repudia a arbitrariedade perpetrada pela juíza e informa que irá adotar todos os recursos judiciais cabíveis, bem como, representará no conselho nacional de justiça pelo evidente abuso de autoridade ocorrido no acre, que impediu o debate com os candidatos com representatividade no congresso nacional.”

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Acre

Com Bocalom no comando, PSDB acreano se reestrutura e prepara chapas competitivas para 2026

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Partido, que vivia ostracismo na política local, agora articula pelo menos seis nomes para federal, incluindo a primeira-dama Kellen Bocalom; definição das candidaturas sai até sábado

Do esquecimento ao protagonismo: PSDB renasce no Acre sob liderança de Tião Bocalom

O PSDB acreano, que nos últimos anos figurou como coadjuvante no cenário político do estado, volta a ganhar destaque com a chegada do prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, ao comando da sigla. A mudança de direção, que afastou o deputado estadual Luiz Gonzaga da liderança partidária, deu lugar a uma reestruturação completa da executiva e à formação de chapas competitivas para as eleições de 2026.

A movimentação, que vinha sendo especulada nos bastidores, ganhou forma nos últimos dias. Segundo informações divulgadas pela imprensa da capital na manhã desta segunda-feira (30), o partido articula ao menos seis nomes com reais chances para disputar uma vaga na Câmara Federal. Entre eles, figura a primeira-dama de Rio Branco, Kellen Bocalom, que pode ser a representante feminina da legenda na disputa.

Para o partido Tucano, Bocalom pode escalar, na luta por uma cadeira na Câmara Federal, o ex-deputado federal Chicão Brígido, como um nome apontado por um grupo do agronegócio acreano. Foto: captada 

Mudança de comando e corrida contra o tempo

A definição das chapas começou com certo atraso devido à transição na presidência estadual do partido. Com a saída de Luiz Gonzaga e a entrada do grupo de Bocalom, toda a executiva foi renovada. Agora, sob o comando do prefeito da capital, o PSDB trabalha para lançar duas frentes eleitorais: uma para deputado estadual e outra para deputado federal.

O calendário eleitoral, no entanto, impõe um prazo curto. A expectativa é que até o próximo sábado ambas as chapas estejam completamente definidas.

Disputa acirrada por vaga na Câmara Federal

Para a composição da chapa federal, Bocalom costura alianças com diferentes setores e avalia nomes com experiência em cargos eletivos. Entre os cotados estão:

  • Carlos Beirute – ex-vereador e médico

  • Chicão Brígido – ex-deputado federal

  • João Marcos Luz – ex-vereador

  • Um nome indicado por um grupo do agronegócio

  • Kellen Bocalom – primeira-dama de Rio Branco

A inclusão de um nome ligado ao setor produtivo reflete a estratégia do partido de ampliar sua base de apoio no interior e dialogar com diferentes forças econômicas do estado.

O ex-vereador DE Rio Branco João Marcos Luz estará na disputa com pelo menos cinco pessoas com chances, inclusive uma mulher, que seria a primeira dama, Kellen Bocalom. Foto: captada 

Expectativa para os próximos dias

Com a definição iminente, o PSDB busca consolidar um palanque forte para as eleições de 2026, apostando na capilaridade do grupo de Bocalom e na oxigenação da legenda após anos de baixa visibilidade. A expectativa entre os aliados é que o partido volte a ocupar um papel de protagonismo no cenário político acreano.

Destaques:
  • PSDB reestruturado articula ao menos seis candidaturas para federal
  • Kellen Bocalom é cotada como possível nome feminino na chapa
  • Tião Bocalom assume comando do partido e promove renovação na executiva
  • Definição das chapas ocorrerá até o próximo sábado, conforme calendário eleitoral

A movimentação ocorre em meio a um cenário de indefinição na política estadual, com articulações para a sucessão de Gladson Cameli e reorganização de forças na oposição e na base aliada. O PSDB, que ensaiava um protagonismo nacional nos anos 1990 e 2000, tenta se reposicionar no Acre após um período de esvaziamento político.

Para o time Tucano de Bocalom, pode escalar na luta por uma cadeira na Câmara Federal a primeira dama, Kellen Bocalom. Até o próximo sábado, não só a chapa de federal, mas a estadual também será conhecida. Foto: captada 

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Energisa suspende energia em área alagada após rio Juruá atingir 13,42 metros

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Medida preventiva atinge 17 imóveis no Ramal Boca do Moa; população deve redobrar cuidados durante enchente

Na tarde desta segunda-feira (30), o nível do Rio Juruá atingiu 13,42 metros, afetando 16 bairros e comunidades e levando a Energisa a interromper o fornecimento de energia elétrica em 17 imóveis no Ramal Boca do Moa.

De acordo com a concessionária, a medida é preventiva e visa garantir a segurança da população e das equipes em serviço. O fornecimento será restabelecido assim que houver condições seguras.

Durante o período, a população deve redobrar os cuidados com a rede elétrica. O gerente Loureman Azevedo faz um alerta sobre os riscos em áreas alagadas. “Durante enchentes, é fundamental redobrar os cuidados com a energia elétrica. Em casos de inundação em residências ou estabelecimentos, não deve haver contato com instalações elétricas, sendo indispensável desligar o disjuntor interno para evitar curtos-circuitos e choques elétricos”, destacou.

A Energisa também recomenda retirar da tomada equipamentos eletroeletrônicos, não manusear bombas d’água e jamais se aproximar de fios partidos, especialmente em locais com presença de água.

Em qualquer situação de risco envolvendo a rede elétrica, como fios caídos ou água próxima ao medidor, a população deve acionar imediatamente a concessionária pelos canais de atendimento: WhatsApp Gisa (68) 99233-0341, aplicativo Energisa On ou pelo telefone 0800 647 7196.

Orientações de segurança

A população deve ficar atenta e reforçar os cuidados tanto dentro de casa quanto nas ruas durante períodos de chuvas intensas e alagação. Entre as principais recomendações estão:

  • Ficar longe de árvores;
  • Evitar permanecer próximo a estruturas altas, como torres de telefonia ou de energia elétrica;
  • Jamais se aproximar de fios partidos ou caídos;
  • Não manusear bombas d’água em locais molhados enquanto estiverem conectadas à rede elétrica;
  • Não entrar em áreas alagadas próximas a postes, caixas de energia ou medidores;
  • Se a água invadir a residência, desligar o disjuntor geral, desde que seja seguro fazê-lo;
  • Não tocar em tomadas, fios ou aparelhos molhados; retirar da tomada TVs, geladeiras, micro-ondas e outros eletrônicos;
  • Evitar subir em telhados, muros ou lajes durante a enchente, especialmente próximos à fiação elétrica;
  • Não tentar religar a energia por conta própria após a enchente; aguardar a equipe da Energisa.

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Jovem morre após aplicação de medicamento em farmácia; família protesta nas ruas de Tarauacá e MP investiga

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Mayko Oliveira França deixou três filhos pequenos. Após sentir tonturas, ele recebeu uma injeção aplicada por atendente de estabelecimento comercial; quadro se agravou e ele não resistiu

A morte do jovem Mayko Oliveira França, de 31 anos, em Tarauacá, mobilizou familiares e amigos que realizaram um protesto na manhã desta segunda-feira, 30, em frente à Praça da Juventude. O grupo percorreu as proximidades do fórum e da delegacia da cidade cobrando justiça e esclarecimentos sobre as circunstâncias do caso.

Segundo a mãe e a esposa de Mayko, ele deixou três filhos pequenos. A família afirma que o jovem, descrito como saudável, teria sido vítima de um possível erro no atendimento no interior da unidades de prestação de assistência farmacêutica.

Após a aplicação, o quadro clínico se agravou rapidamente. Nos dias seguintes, Mayko passou a apresentar dores intensas e complicações. Mesmo retornando ao local em busca de ajuda. Foto: captada 

De acordo com informações encaminhadas ao Ministério Público do Estado do Acre, Mayko procurou uma farmácia da cidade no dia 18 de março após sentir tonturas. Durante o atendimento, recebeu a recomendação para aplicação de um medicamento injetável, procedimento realizado por uma atendente do estabelecimento.

Após a aplicação, o quadro clínico se agravou rapidamente. Nos dias seguintes, ele passou a apresentar dores intensas e outras complicações. Mesmo retornando ao local em busca de ajuda, não houve melhora.

No dia 20 de março, já em estado crítico, Mayko foi levado ao Hospital Dr. Sansão Gomes. Profissionais da unidade teriam identificado indícios de possíveis irregularidades no atendimento inicial, levantando dúvidas sobre a forma como a medicação foi aplicada e a dosagem utilizada.

No último dia 20 de março, já em estado crítico, ele foi levado ao Hospital Dr. Sansão Gomes. Profissionais teriam identificado indícios de possíveis irregularidades no atendimento inicial. Foto: captada 

O paciente apresentou sinais graves, incluindo comprometimento dos rins e outras complicações clínicas. Após ser estabilizado, foi transferido para Cruzeiro do Sul, mas não resistiu e morreu no mesmo dia.

O Ministério Público já abriu investigação para apurar as circunstâncias do caso. A família segue mobilizada em busca de justiça e cobra que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados.

O paciente apresentou sinais graves, incluindo comprometimento dos rins e outras complicações clínicas. Após ser estabilizado, foi transferido para Cruzeiro do Sul, mas não resistiu. Foto: captada 

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