Cotidiano

Área plantada de soja no Acre encolhe 31,8% em um ano e vai para 15 mil hectares

Queda acentuada reflete dificuldades econômicas do setor; preço da saca caiu de R$ 200 (2022) para R$ 115; inadimplência no crédito rural bate recorde no país

O Acre diminuiu a área plantada de soja de 2025 para 2026. E a redução não foi pequena: 31,8%. Passou de 22.000 hectares para 15.000 hectares

Produtor de soja enfrenta margens apertadas e reduz cultivo no estado

O Acre diminuiu a área plantada de soja de 2025 para 2026. E a redução não foi pequena: 31,8%. A área passou de 22.000 hectares para 15.000 hectares – número menor do que o registrado em anos anteriores, quando a área se estabilizava em 19.000 hectares.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (Faeac) ainda não elencou as causas que podem explicar essa redução, mas avalia que o cenário para o produtor de soja não é bom. “As razões são econômicas. Soja está num momento difícil”, afirmou o presidente da Faeac, Assuero Veronez.

Um exemplo é a oscilação do preço da saca da soja: em 2022, chegou a valer mais de R$ 200. Foto: captada 

PIB agropecuário aquecido esconde gargalos

A divulgação dos números do PIB de 2025, informando que o país teve um PIB da agropecuária crescendo 11,7%, apresenta um cenário positivo que acaba escondendo os gargalos pelos quais passa o produtor. O PIB aquecido não significa obrigatoriamente que as margens do produtor estejam altas e que, portanto, a lucratividade esteja alta.

Um exemplo é a oscilação do preço da saca da soja: em 2022, chegou a valer mais de R$ 200. Atualmente, é negociada a R$ 115, de acordo com o Boletim Técnico Grãos de março, elaborado pela Faeac.

Custos altos e inadimplência recorde

Produtividade e produção em alta com custos dos insumos mais caros são ingredientes explosivos para as finanças do produtor. O raciocínio é lógico: aumenta-se a oferta do produto, o preço tende a cair, com o preço dos insumos em alta. É a receita para potenciais prejuízos.

Não à toa, a inadimplência no crédito rural chegou a 7,3% no país, o maior nível da série histórica registrada pelo Banco Central. Isso resulta em um montante de R$ 41 bilhões de dívidas em atraso.

Produtividade e produção em alta com custos dos insumos mais caros são ingredientes explosivos para as finanças do produtor. Foto: captada 

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Marcus José