O salto é reflexo do aumento de R$ 0,10 no ICMS por litro, que passou de R$ 1,47 para R$ 1,57 desde 1º de janeiro. Foto: ilustrativa
Os motoristas do Acre começaram 2026 pagando a gasolina mais cara do país, a R$ 7,24 por litro, segundo o primeiro levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP) do ano. O valor é resultado do aumento de R$ 0,10 no ICMS estadual, que passou de R$ 1,47 para R$ 1,57 por litro desde 1º de janeiro — segunda alta consecutiva no mesmo patamar em menos de um ano.
Enquanto a média nacional ficou em R$ 6,29, o Acre superou vizinhos como Amazonas (R$ 7,02) e Rondônia (R$ 6,96). No outro extremo, o Piauí tem o litro a R$ 5,91. O reajuste do ICMS segue a Lei 192/2022, com determinação unificada pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz).
Apesar da introdução da gasolina E30 (com 30% de etanol) e do aumento da octanagem, medidas que poderiam reduzir o preço em até R$ 0,20, o impacto foi totalmente absorvido pelo aumento tributário, mantendo o estado no topo do ranking de combustíveis mais caros do Brasil.
Acre: R$ 7,24 (mais caro do país)
Amazonas: R$ 7,02
Rondônia: R$ 6,96
Piauí: R$ 5,91 (mais barato do Brasil)
Motivo do aumento:
O reajuste segue a Lei 192/2022, que estabelece reajuste fixo e unificado do ICMS em todos os estados, conforme determinação do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz). É a segunda alta consecutiva em menos de um ano – em fevereiro de 2025 o tributo também havia subido R$ 0,10.
Desde agosto de 2025, vigora a gasolina com 30% de etanol (ante 27,5% antes), com octanagem elevada de 93 para 94 RON. O governo federal estimava uma redução de R$ 0,13 a R$ 0,20 no preço final, mas o aumento do ICMS anulou o possível alívio no Acre.
Com o preço médio de R$ 7,24, encher um tanque de 50 litros no estado custa R$ 362 – R$ 47,50 a mais que na média nacional.
A Sefaz-Acre justifica que o reajuste é determinado por lei federal e que os recursos são essenciais para serviços estaduais. Enquanto isso, associações de caminhoneiros e motoristas planejam protestos simbólicos nas rodovias.
O Acre vive uma “double tax” nos combustíveis: além do ICMS estadual elevado, sofre com o custo logístico de transporte até os postos do interior, onde o litro pode chegar a R$ 8,50 em municípios como Feijó e Marechal Thaumaturgo.