A redução nos números pode estar relacionada a mudanças cadastrais, revisões do CadÚnico e critérios de elegibilidade, além de atualizações periódicas realizadas pelo Governo Federal. Foto: captada
O Acre registrou redução no número de famílias atendidas pelos programas Bolsa Família e Auxílio-Gás nos últimos anos, segundo dados do Governo Federal disponíveis no painel oficial de Proteção Social, com informações do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS).
No caso do Bolsa Família, os dados mostram que o estado passou de 133,4 mil famílias beneficiadas em 2022 para 125 mil em 2025. Em 2023, o número foi de 130,9 mil, enquanto em 2024 houve leve alta, com 133,9 mil famílias atendidas. Apesar dessa oscilação, o dado mais recente aponta queda no total de beneficiários no estado.
Ainda conforme o painel federal, o Bolsa Família no Acre contabilizava, até janeiro de 2026, 124,8 mil famílias beneficiadas, com pagamento mensal médio de R$ 733. O programa foi relançado em março de 2023, substituindo o Auxílio Brasil.
Dados oficiais do governo federal indicam que em fevereiro de 2026 o número de famílias contempladas no estado era de 123.883, com benefício médio de R$ 719,36 e investimento superior a R$ 89,1 milhões.
No Auxílio-Gás, a queda foi contínua e mais acentuada. Em 2022, o Acre tinha 54,6 mil famílias beneficiadas por mês. Em 2023, o número caiu para 51,1 mil, em 2024 recuou novamente para 50,5 mil e, em dezembro de 2025, chegou a 45,5 mil famílias atendidas mensalmente.
Os dados indicam que, embora o Bolsa Família tenha apresentado estabilidade em parte do período, o estado terminou 2025 com menos beneficiários do que em 2022. Já o Auxílio-Gás apresentou retração mais acentuada e sem interrupções ao longo dos anos, encerrando 2025 com cerca de 9,1 mil famílias a menos em comparação com 2022.
Vale destacar que o governo federal lançou em setembro de 2025 o programa Gás do Povo, que substituirá gradualmente o Auxílio-Gás. A previsão é que mais de 114 mil famílias acreanas sejam beneficiadas com botijões gratuitos a partir de novembro de 2025, com expectativa de atingir 100% do público-alvo em março de 2026.
A redução nos números pode estar relacionada a mudanças cadastrais, revisões do CadÚnico e critérios de elegibilidade, além de atualizações periódicas realizadas pelo Governo Federal. Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que o Acre registrou aumento de 6,29 pontos percentuais das classes A, B e C entre 2022 e 2024, o que pode indicar que parte das famílias deixou os programas por melhora na renda.
2022: 133,4 mil famílias
2023: 130,9 mil famílias
2024: 133,9 mil famílias
2025: 125 mil famílias
Jan/2026: 124,8 mil famílias (com pagamento médio de R$ 733)
2022: 54,6 mil famílias
2023: 51,1 mil famílias
2024: 50,5 mil famílias
Dez/2025: 45,5 mil famílias
Queda no Bolsa Família: Apesar de uma oscilação com leve alta em 2024, o estado encerrou 2025 com 8,4 mil famílias a menos beneficiadas em comparação com 2022, e os dados de janeiro de 2026 (124,8 mil) confirmam a tendência de redução.
Queda contínua no Auxílio-Gás: O programa apresentou retração anual consecutiva, acumulando uma redução de 9,1 mil famílias entre 2022 e dezembro de 2025.
Possíveis causas: A redução pode estar relacionada a:
Mudanças cadastrais e revisões do CadÚnico: O governo federal realiza verificações periódicas para garantir que os benefícios cheguem a quem realmente atende aos critérios. A Portaria 1.123/2025, por exemplo, atualizou os procedimentos para revisão de elegibilidade, priorizando famílias com crianças, gestantes e menor renda.
Substituição do Auxílio-Gás pelo “Gás do Povo”: É importante notar que o Auxílio-Gás foi substituído pelo programa “Gás do Povo”. Este novo programa, que garante a recarga gratuita do botijão, tem critérios de elegibilidade específicos e prevê atender mais de 114 mil famílias no Acre até março de 2026. A queda no número de beneficiários do Auxílio-Gás pode refletir essa transição e a adaptação aos novos critérios, que incluem:
Estar inscrito no CadÚnico com cadastro atualizado nos últimos 24 meses.
Renda familiar per capita de até meio salário-mínimo.
Ser beneficiário do Bolsa Família.
Ter pelo menos dois integrantes na composição familiar (prioridade).
Portanto, os dados indicam uma redução no número de famílias atendidas pelos programas anteriores, mas também apontam para uma reestruturação e potencial ampliação do benefício do gás com o novo formato “Gás do Povo”, que já começou a ser implementado no estado.
A queda no número de beneficiários do Auxílio-Gás pode refletir essa transição e a adaptação aos novos critérios. Foto: captada