Da redação, com Ana Paula Batalha

A possível transição do dinheiro bloqueado da empresa Telexfree (Ympactus Comercial Ltda.), por hackers bolivianos, contratados por brasileiros, já chegou ao conhecimento do Ministério Público do Acre (MPE/AC).

A denúncia de que vários divulgadores do Acre contrataram hackers bolivianos para desbloquearem as contas virtuais da empresa para transferir dinheiro para o exterior pode gerar outro cenário negro para a empresa e a Justiça.

O possível esquema ocorreu por quase um mês na cidade de Cobija, no Departamento de Pando, que faz fronteira com o Brasil por meio do Acre, segundo a denúncia.

“Os brasileiros responderem processo no exterior será mais temeroso. Não poderão ter nenhum instrumento brasileiro para responder o interesse deles”, disse a promotora de Justiça de Defesa do Consumidor do MPE/AC, Alessandra Marques.

Alessandra explica que será investigado também se a empresa teve participação nas possíveis transições.

Em todo o Brasil são mais de 1 milhão pessoas no sistema. No Acre, estima-se que sejam cerca de 70 mil divulgadores.

“São muitas famílias desesperadas por ter perdido tudo. É lamentável que muitos órgãos de fiscalização tenham demorado tanto para observar que havia um enriquecimento muito rápido por parte de algumas pessoas”, disse.

Proposta rejeitada

A promotora também disse que não há chance de a Justiça do estado aceitar a proposta da TelexFree de dar como caução o montante de 659 milhões de reais para retomar suas operações.
De acordo com a promotora, a ação na Justiça diz ser irregular os serviços e não poderia aceitar a garantia de algo que a Justiça não quer mais o funcionamento.

Processos

A promotoria diz aguardar informações da Polícia Federal que entrou para investigar o caso recentemente.

A Telexfree está com duas ações. A primeira é a cautelar que indisponibilizou os bens, a outra é a ação principal que pede a restituição dos valores que os divulgadores investiram.

“Nós precisamos ter patrimônio para receber. No momento em que o patrimônio da empresa se tornou indisponível, em termos de recursos de aporte financeiro, a empresa já não tinha dinheiro para restituir todos. Isso será um novo caso”, disse.

O Ministério Público na área do Consumidor possui uma associação nacional onde todos os promotores e procurados que atuam nesta área trocam informações. Pele menos sete estados investigam a Telexfree.

“Em cada estado os inquéritos tramitam separadamente. No Acre o inquérito foi concluído primeiro e agora buscamos mais informações. Eu não tenho dúvidas nenhuma que a empresa é uma pirâmide financeira”, ressaltou a promotora revelando que as denúncias partiram dos próprios divulgadores que estudaram como a empresa operava.

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