Os servidores públicos cujo dever seria zelar pelo cumprimento da lei e atuar dentro das normas estariam agindo do lado oposto para facilitar a prática de uma série de crimes ambientais no Acre e no sul do Amazonas. Pelo menos esta é a conclusão das investigações da Operação Ojuara, deflagrada nesta quarta-feira, 8, pela Polícia Federal no Acre, Amazonas e Minas Gerais.
Servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e policiais militares do estado vizinho são suspeitos de integrar organização criminosa liderada por fazendeiros que atuava para desmatar a floresta e fazer a grilagem de terras públicas.
Ex-superintendente do Ibama no Acre, Carlos Gadelha, é citado pela PF.

Entre os presos está o ex-superintendente do Ibama no Acre Carlos Gadelha. A PF afirma que os servidores do órgão que tiveram suas prisões preventivas decretadas recebiam propina dos fazendeiros para que estes não sofressem nenhum tipo de responsabilização – emitindo autos de infração com falhas que levariam a sua nulidade – além de vazarem informações sobre eventuais operações do Ibama.  Uma das estratégias era aplicar as multas em laranjas, geralmente os peões ou caseiros que eram indicados pelos fazendeiros.

De acordo com a polícia, a área impactada pelos crimes ambientais praticados pelo grupo chegaram a 86 mil hectares, sendo que 10% destes foram completamente desmatados.
Já os policiais militares de Boca do Acre operavam como o braço armado dos fazendeiros, atuando como uma espécie de pistoleiros na expulsão de famílias de agricultores que há décadas ocupavam áreas cobiçadas pelos acusados. Os PMs ainda faziam a proteção dos locais onde ocorriam os desmatamentos, não permitindo a aproximação de estranhos.
Num dos casos um homem foi atingido por bala quando se aproximava de um dos desmatamentos. Segundo a PF, os policiais usavam armas e veículos da corporação para o trabalho paralelo.

Ao todo foram cumpridos 18 mandados de prisão (entre temporárias e preventivas) e 34 de busca e apreensão no Acre, Amazonas e Minas Gerais.

Por: Fabio Pontes

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