Parece brincadeira, mas não é. Pilique, Zum e Serjão são os nomes dos candidatos a prefeito de Assis Brasil. Na tríplice fronteira, cidade assiste o progresso passar para longe, nas cidades do Peru e Bolívia. Única indústria que funciona no local é a do tráfico de drogas.

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Por Jairo Carioca

Parece brincadeira, mas não é. Quem chegar na cidade de Assis Brasil – na tríplice fronteira entre o Brasil, Peru e Bolívia – pedindo para votar em Jesus Sebastian Lopez Cardoso, Antônio Barbosa de Souza ou Sérgio Batista da Silva, certamente terá dificuldades de ser encaminhado para um dos comitês de campanha ou assessoria dos candidatos. É que ninguém os conhece pelo nome. Por conta disso, na hora de fazer os registros seus nomes para urna, eles, além de ter usado criatividade, aderiram à frase: “para que um candidato vença a uma eleição vale tudo” eternizada pelo marqueteiro Carlos Manhanelli.

Vamos então à tradução: Jesus Sebastian Lopes abdicou o nome do criador do universo, para registrar o apelido: Pilique. Isso mesmo: Pilique é o candidato do PCdoB, que aos 45 anos, concorre a primeira vez a uma eleição. Administrador, ele reuniu em sua coligação os partidos PT, PSL e PHS. Pilique tem um patrimônio declarado à justiça eleitoral do Acre de R$ 460 mil. Entre os bens, dois prédios comerciais em uma das avenidas principais do município. Ele é divorciado. Pilique é o nome defendido pela Frente Popular do Acre.

Antônio Barbosa de Souza é o Zum, candidato pelo PSDB. Servidor Público Federal, graduado e casado. Zum é bastante conhecido e já foi prefeito de Assis Brasil. Ele apresentou um patrimônio de R$ 160 mil. É o mais experiente entre os candidatos e completou no final de agosto, 60 anos. Zum conta com o apoio do deputado federal Major Rocha e reúne além de seu partido, mais sete: PDT, PMDB, PSC, PPS, PSD, PEN e PR. É a maior coligação registrada na fronteira.

Aos 38 anos, o mais novo candidato a prefeito tem o nome e apelido mais fácil. Trata-se de Sérgio Batista da Silva, o Serjão do Democrata, que aos 45 do segundo tempo, conseguiu fechar aliança com o PP, de Neldinho. O motorista de veículos de transportes coletivos tem patrimônio apresentado ao TRE-AC avaliado em R$ 118 mil.

ASSIS_BRASIL_BETO_311A cidade formada por núcleos de populações de três países, na tri-fronteira entre o Brasil, o Peru e a Bolívia, é a última fronteira de acesso a estrada do Pacífico (via BR 317). O atual prefeito, Humberto Gonçalves Filho, o Betinho, também abdicou do direito de concorrer à reeleição por motivos até hoje não informados.

Betinho, que é médico formado na Bolívia, integra a lista de inelegíveis encaminhada pelo Tribunal de Contas do Estado à Justiça Eleitoral. Foi denunciado em maio deste ano pelo Ministério Público Federal por desvio de verbas federais referentes a convênio com a Caixa Econômica Federal (CEF) para a concessão de empréstimos consignados aos servidores públicos do município. Segundo denúncia do procurador Regional da República, Alexandre Espinosa, o prejuízo foi superior a R$ 680 mil reais.

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População assiste o progresso avançar nos países vizinhos

São 3.423 km de fronteira partindo da cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul à cidade de Assis Brasil, no Acre. Essa região atravessa grande variedade de paisagens percorrendo áreas urbanas até desertos inóspitos e a densa floresta amazônica.

Embora o portal de entrada da cidade de Assis Brasil seja uma alfandega, a região tem ocupado os jornais no centro das políticas governamentais por um motivo dramático: o tráfico de drogas. A fronteira tem sido apontada como principal entrada de armas e drogas que abastecem o crime organizado.

Com uma população de 6.863 de pessoas, segundo o IBGE, 48,91% dela ocupa incidência da pobreza. Os recursos transferidos pelo programa Bolsa Família do governo federal, são superiores aos investimentos de recursos próprios do município. No ranking de eficiência dos municípios, lançado pelo jornal a Folha de São Paulo, dia 28/8, em décimo sétimo lugar entre as 22 federações do Acre. Assis Brasil está entre os ineficientes em educação, saúde, saneamento e receita.

Produção agrícola é baseada em produção de arroz e banana

ASSIS_BRASIL_INDIOS_305Na região, existem 26 aldeias em quatro terras indígenas, onde vivem mais de mil índios das etnias manchinery e jaminawá. É nessa região que o governo do Estado vem concentrando os principais investimentos através da Seaprof este ano.

Nas aldeias, as principais produções são de arroz, banana e mandioca. Segundo Sabá Manchineri, liderança indígena, o acompanhamento técnico mais próximo para aumentar a produção é a principal deficiência do setor.

Plano de governo de Zum prevê ações para comunidades indígenas

O único Plano de Governo apresentado ao TRE-AC, dos três candidatos a prefeito de Assis Brasil foi do candidato tucano, o ZUM. Ele afirma que as culturas indígenas Mancinheri e principalmente a Jaminawa tem sido bastante descaracterizada através da miscigenação que, segundo o candidato, exerce interferência e influência sobre o artesanato, as danças e comidas tipicamente indígenas.

Zum afirma que caso seja eleito, vai preservar as matérias-primas, as técnicas e o saber dos artesãos indígenas serão priorizados e aperfeiçoadas através de oficinas de capacitação em parceria com Sebrae e o Governo do Estado. O candidato tucano não destaca nenhuma ação para o fortalecimento da agricultura no setor.

Aposta no Turismo como geração de emprego

ASSIS_BRASIL_ZUM_191Para enfrentar o grave problema social criado pelo consumo e o tráfico de drogas, Zum é o único candidato que apresenta proposta baseada no fortalecimento do turismo na tríplice fronteira.

Além de propor a criação de um calendário de eventos municipais, Zum afirma que vai investir no setor turístico ambiental para gerar emprego e renda, além de desenvolver ações culturais e eventos que oportunizem a manifestação do potencial artístico, em especial dos festejos juninos e feiras culturais.

Os demais candidatos não registraram plano de governo.

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