Pescadores denunciam truculência e tiro por parte de militares bolivianos no rio Acre

“Fomos tratados como bandidos com as armas apontadas pelas nossas cabeças. Mesmo nos identificando como pescadores, eles atiraram contra a gente e nos obrigaram para ir até eles”, disse Antônio.

Pescadores e presidente da Associação em Brasiléia procuram ajuda das autoridades do Brasil sobre o caso.

Um fato ocorrido durante a tarde desta quarta-feira, dia 27, fez com que pescadores registrassem boletins de ocorrência na delegacia do município de Brasiléia e durante a manhã desta quinta-feira (28), na sede da Policia Federal em Epitaciolândia.

Segundo os pescadores Antônio Francisco N. Paiva, mais conhecido por ‘Morcego’, juntamente com seu primo Fernando F. Silva e um terceiro, que são pescadores profissionais e sobrevivem da pesca, resolveram praticar o ofício no rio Acre, com estimativa de chagar até o antigo Seringal Belmonte, distante de barco com motor (rabeta) umas três horas da cidade.

Antônio conta que sempre estavam próximo das margens no lado brasileiro, passaram por postos de fiscalização existente das Forças Armadas Boliviana, no lado boliviano. No terceiro posto, foram alertados e se identificaram mostrando que seriam pescadores brasileiros e seguiram subindo o rio.

Pescadores mostram as tarrafas que usavam no momento em que foram abordados pelo policiais bolivianos.

Quando chegaram no terceiro posto, viram que haviam militares de roupa preta do lado boliviano do rio, lhes apontando armas e mandando aportar no lado estrangeiro. Assustados sem saber o que fazer por estarem do lado brasileiro do rio, foi quando ouviram um disparo que atingiu o barranco próximo a eles.

Foram obrigados a passar para o lado boliviano e foram abordados com armas apontadas contra eles. “Fomos tratados como bandidos com as armas apontadas pelas nossas cabeças. Mesmo nos identificando como pescadores, eles atiraram contra a gente e nos obrigaram para ir até eles”, disse Antônio.

O maior medo deles, seria de acontecer algo pior, pois não havia ninguém para testemunhar o que estava acontecendo. “Após perceberam que a gente era pescador, ficaram filmando com celulares e falando coisas que não entendíamos. A gente temia pelo pior já que estavam apontando várias armas para nós”, desabafou Fernando.

O presidente da Associação dos Pescadores de Brasiléia, Sebastião Roneli D. Silva, disse que estaria levando o caso ao conhecimento das autoridades, uma vez que os militares atiraram contra pessoas que vivem da pesca. “Espero que nossas autoridades tomem uma providencia para que coisas piores não possam acontecer no futuro”, destacou.

Veja vídeo.

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