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Estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) constatou que a pandemia do novo coronavírus tem prejudicado a renda efetiva dos trabalhadores brasileiros e que o Auxílio Emergencial é o único rendimento em 4,5 milhões de domicílios no país. O levantamento utilizou dados de junho da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Covid-19, feita pelo IBGE, que tem entre os seus objetivos mensurar os impactos do novo coronavírus no mercado de trabalho.

Auxílio emergencial melhora padrão de vida em mais de 23 milhões de domicílios, diz estudo do Ministério da Economia

Segundo o Ipea, em junho, os rendimentos médios habitualmente recebidos foram de R$ 2.332. Em contrapartida, os rendimentos médios efetivamente recebidos foram de R$ 1.939, o que corresponde a 83% dos salários habituais. Para efeitos de comparação, o estudo cita os dados da Pnad Contínua dos trimestres que englobam os meses de maio, junho e julho entre 2012 e 2019, período em que a renda média efetiva foi somente 0,03% maior que a renda média habitual.

Sandro Sacchet, economista do Ipea e autor do estudo, alega que, com exceção do mês de dezembro em que há muitas contratações temporárias por conta do natal, a diferença entre as rendas médias efetiva e habitual é muito pequena. Segundo ele, o estudo conseguiu atestar os efeitos da pandemia nos salários dos trabalhadores brasileiros

“A renda efetiva é sempre muito parecida com a habitual, segundo os históricos da Pnad Contínua. Por isso, consegue-se afirmar que essa diferença que foi encontrada na pesquisa reflete o impacto da pandemia”, explica o pesquisador.

Auxílio

A pesquisa do Ipea também aponta que o auxílio emergencial do governo federal foi a única fonte de renda em 4,5 milhões de domicílios brasileiros (6,6% do total). Segundo o levantamento, entre maio e junho, o número de residências que dependem exclusivamente aumentou em um milhão.

O barbeiro José Martins, morador de Fortaleza (CE), viu a sua renda despencar por contas das medidas de isolamento social que fez com que que ele fechasse temporariamente o pequeno negócio. Segundo ele, o auxílio emergencial serviu para o pagamento de contas básicas, entre elas o aluguel, mas ainda foi insuficiente para que ele mantivesse o padrão de vida de antes da pandemia. “Eu não tinha nenhum Plano B. Acreditava que o comércio voltaria rápido, mas ainda estamos nos recuperando dessa pandemia”, diz o empreendedor.

Em outro estudo, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), também baseado em dados do IBGE, concluiu que o auxílio emergencial fez com que o número de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza caísse de 4,2% para 3,3%, entre maio e junho deste ano. Nas regiões Norte e Nordeste, de acordo com o levantamento, a renda aumentou aproximadamente 11,7%.

Segundo o governo federal, quase 70 milhões de brasileiros foram considerados elegíveis para receber o auxílio emergencial. Até o momento, os investimentos com o benefício ultrapassam R$ 141 bilhões.

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