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O agro é pop, mas não é tudo: Gilson Pescador faz reflexão sobre criação de gado na Reserva Chico Mendes

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Onde antes caminhava o seringueiro, apressado, agora passa calmamente o vaqueiro, jogando todo mundo para os lados. Onde antes cantava o sabiá agora soa o berrante.

O trânsito é de enormes caminhões boiadeiros, caminhonetas e motocicletas. Em 45 km, entre Sibéria e Guarani, esbarramos com três boiadas pela estrada, tocadas por diversos peões, para um lado e para outro. Foto: internet 

Com Gilson Pescador

O vídeo da boiada tocada em uma estrada de chão, por seis vaqueiros, que integra este artigo, foi gravado: a) Em qualquer estrada de Goiás; b) No interior de Rondônia; c) No coração da na , em Xapuri, no Acre e c) Nenhuma das alternativas. Adivinhe, se puder.

Após pouco mais de trinta anos retornamos ao famoso São João do Guarani, em Xapuri, na Reserva Extrativista Chico Mendes, distante quarenta e cinco quilômetros da Sibéria, bairro quente que fica na outra margem do Rio Acre.

Nas três vezes anteriores fomos e voltamos à pé, com a mochila nas costas, caminhando a maior parte do trajeto por dentro da refrigerante floresta, logo após deixar a ensolarada Estrada de Petrópolis. Em duas destas oportunidades seguimos até o Espalha, igarapé que divisa os municípios de Xapuri e Sena Madureira, a 27 Km do São João do Guarani, passando pelo Caboré e outras colocações, distando, portanto, 72 Km da cidade de Xapuri, mais ou menos, não só à pé, mas também rastejando por debaixo de túnel de tabocal (taquara grossa com espinhos pérfuro-cortantes), pelos varadouros e, às vezes, pelas varações, para encurtar a distância.

Localidade São João do Guarani, no meio da floresta, onde se encontra um pequeno santuário em homenagem ao seringueiro que morreu acidentalmente décadas atrás. Foto: arquivo 

No início do mês de novembro, acompanhando um amigo que precisava pagar a  promessa que fez muitos anos atrás, por uma graça alcançada, saímos de Rio Branco de carro, até Xapuri. De lá, com mais outros dois amigos, seguimos para a localidade São João do Guarani, no meio da floresta, onde se encontra um pequeno santuário em homenagem ao seringueiro que morreu acidentalmente décadas atrás, e se tornou um santo popular.

Se antes o Guarani era uma capelinha com uma cruz e um barraco de palha onde os romeiros e seringueiros que passavam estendiam suas redes, e não pegava sol tamanho o abraço da floresta, agora encontramos um local amplo, aberto, iluminado naturalmente, com uma escola muito bem conservada, com crianças aprendendo e professores ensinando e vice-versa, e um ônibus escolar novinho estacionado, tudo isto na beira de uma estrada.

No passado demorávamos dez horas de caminhada ininterrupta, subindo ladeiras e escalando barrancos úmidos, agarrando-nos nas árvores, para chegar no São João do Guarani, e dois dias a passo de seringueiro para chegar no Espalha. Hoje, a promessa se paga indo de caminhoneta com ar-condicionado, em menos de uma hora, sobrando fôlego até para contar piada, mas não há graça nenhuma.

Só falta a sinalização horizontal e vertical da rodovia, com placas indicativas de trânsito e direções, afinal já dá até, realmente, para se perder (não devido ao emaranhado de varadouros e varações), mas de acessos rodoviários para outras localidades.

O que antes era mata agora são pequenas e médias fazendas de gado nas margens direita e esquerda da estrada. A paisagem mudou. E muito. O trânsito é de enormes caminhões boiadeiros, caminhonetas e motocicletas. Em 45 km, entre Sibéria e Guarani, esbarramos com três boiadas pela estrada, tocadas por diversos peões, para um lado e para outro. E a estrada é longa. Segue em frente após o Espalha, até encontrar-se com a Transacreana, já em Sena Madureira.

Eu erraria a resposta, se não tivesse visto com os próprios olhos. O agro é pop, mas não é tudo. Onde antes caminhava o seringueiro, apressado, agora passa calmamente o vaqueiro, jogando todo mundo para os lados. Onde antes cantava o sabiá agora soa o berrante.

Se o Chico vivesse…

São João do Guarani, em Xapuri, na Reserva Extrativista Chico Mendes, distante quarenta e cinco quilômetros da Sibéria

Quem é São João do Guarani?

O pároco da Paróquia de São Sebastião, padre Antônio Menezes conta que João do Guarani era um seringueiro da colocação do Guarani, que viveu e morreu no local há mais de 100 anos.

São João do Guarani não é um santo canonizado pela igreja Católica, mas é considerado pela comunidade como alma milagrosa. Foto: Murilo Lima

“Ele adoeceu e imagine aqui há mais de 100 anos. Então, não tinha médico, não tinha remédio, ele tentou sair daqui para Xapuri ou Rio Branco, mas morreu durante o percurso. Dias depois encontraram João e o corpo já estava em decomposição”, contou.

O seringueiro foi sepultado e, no local, foi colocada uma cruz em homenagem a ele. “Um tempo depois, andando aqui nesse território, homens que estavam caçando, cortando seringa, se perderam e lembraram do João que tinha morrido. Então, fizeram uma promessa, já que estavam perdidos. ‘João, alma boa, ajuda-nos a sair desse imprensado, ajuda-nos a sair daqui’. E não é que o caminho se abriu diante deles, milagrosamente. Então, eles saíram e falaram para os outros o que tinha acontecido.”

No dia 24 de junho, igreja Católica organiza uma celebração em homenagem a São João do Guarani. Foto: Murilo Lima

A fama cresceu e, a partir daí, fiéis do município e de outras partes do estado passaram a ir ao local onde o seringueiro está enterrado para fazer pedidos e pagar promessas.

Quem tem a promessa alcançada, acende velas na cruz e deixa dentro da capelinha um objeto relacionado a algum problema resolvido ou uma graça recebida.

Em um lugar onde a história e a crença são reavivados, os fiéis têm uma oportunidade de ter um contato maior com a natureza. “Temos os santos da floresta e São João do Guarani é um deles, é o grande protetor dessa comunidade, dessa igreja, desse povo, crianças, jovens, senhores e senhoras. Então, o povo desta comunidade recorre a esse Santo”, relatou o padre Antônio Menezes.

Fiéis deixam objetos relacionados a graças alcançadas em capela na Comunidade Guarani. Foto: Murilo Lima

As celebrações mistura tradição e novidade com uma procissão no meio da floresta. A cada ano, no dia 24 de junho, dia de São João Batista, a igreja Católica organiza uma celebração em homenagem a São João do Guarani.

Ele não é um Santo canonizado pela igreja Católica, mas é considerado pela comunidade do Guarani, na zona rural de Xapuri, e pelos religiosos da região, como uma alma milagrosa.

E é na Colocação Guarani que ficam o santuário e a imagem de São João do Guarani. Para chegar até lá, é preciso enfrentar mais de 40 km de estrada de terra, saindo de Xapuri.

Ano após ano, a procissão é feita em vias públicas e também pela estrada. Isso porque os fiéis percorreram uma trilha de aproximadamente 1,5 km, em meio à mata, que todo ano tem que ser aberta. Onde com louvores e orações, formando filas para atravessar o caminho por dentro vegetação densa dentro da reserva Chico Mendes .

Fiéis percorrem trilha no meio da floresta em celebração a São João do Guarani em Xapuri. Foto: Murilo Lima

Veja vídeo:

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Família se revolta com possibilidade de soltura de homem suspeito de assassinar adolescente em Rio Branco

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Leandro da Silva Rodrigues, de 37 anos, é acusado de cometer o feminicídio da adolescente Geovana Souza de Silva, de 16 anos, brutalmente assassinada a facadas na madrugada de sábado, 7, no bairro Areal, no Segundo Distrito.

Antes do crime, ele havia rompido a tornozeleira eletrônica, dificultando sua localização. Foto: montagem

Com Notícias da Hora 

Apesar de estar sob custódia na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), a ausência de flagrante no momento da prisão gerou a possibilidade de sua soltura, o que tem causado revolta entre os familiares da vítima

O brutal assassinato de Geovana Souza da Silva, de 16 anos, ocorrido na madrugada do último sábado, 7, no bairro Areal, periferia de Rio Branco, deixou a comunidade em estado de choque e levantou debates sobre a fragilidade do sistema penal brasileiro.

A adolescente foi morta de forma violenta, e o principal suspeito do crime, Leandro da Silva Rodrigues, de 37 anos, foi capturado na noite deste domingo, 8, após uma operação do Segundo Batalhão da Polícia Militar.

O assassinato de Geovana ocorrido no último sábado, 7, no bairro Areal, deixou a comunidade em estado de choque e levantou debates sobre a fragilidade do sistema penal. Foto: cedida

Leandro, que já possui histórico criminal por furto e roubo, foi localizado no bairro Triângulo Novo, onde tentava fugir pelos telhados de uma residência. Antes do crime, ele havia rompido a tornozeleira eletrônica, dificultando sua localização.

Apesar de estar sob custódia na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), a ausência de flagrante no momento da prisão gerou a possibilidade de sua soltura, o que tem causado revolta entre os familiares da vítima.

A mãe de Geovana, visivelmente abalada, desabafou: “Minha filha foi tirada de nós de forma cruel. Agora, existe a chance de o responsável por isso voltar para as ruas? Onde está a justiça? Precisamos de leis mais duras para evitar que famílias passem pelo que estamos passando.”

O principal suspeito do crime, Leandro da Silva Rodrigues, de 37 anos, foi capturado na noite deste domingo, 8, após uma operação do Segundo Batalhão da Polícia Militar. Foto: cedida

Histórico de violência

Leandro já estava sob uma medida protetiva que o impedia de se aproximar de Geovana, devido a registros de agressões físicas e tentativas de homicídio contra ela. Além disso, ele acumulava passagens pela polícia por roubo e furto, tendo cumprido pena no Presídio Francisco de Oliveira Conde em pelo menos seis ocasiões.

Após ser detido, Leandro foi conduzido à Delegacia de Flagrantes (Defla) e, posteriormente, à Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam). Um mandado de prisão foi emitido, e ele deve passar por audiência de custódia nesta segunda-feira, 9.

Relembre o caso

A adolescente Geovana Souza de Silva, de 16 anos, foi morta a golpes de faca na madrugada do último sábado, 7, no cruzamento da Travessa Coral com a Rua Beija-Flor, no bairro Areal, Segundo Distrito de Rio Branco. Geovana, que estava grávida de dois meses, não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Segundo informações da Polícia Militar, a guarnição foi acionada via COPOM para atender a uma ocorrência de feminicídio. Ao chegarem ao local, os agentes encontraram Geovana caída no chão, com ferimentos provocados por arma branca.

O local foi isolado, e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado. A médica plantonista, Dra. Denise Fontes, constatou o óbito da vítima.

De acordo com Lindaura Inácio de Souza, avó de Geovana, a jovem vivia nas ruas com um companheiro identificado como Leandro, apontado como autor do crime.

Testemunhas relataram que Leandro desferiu dois golpes de faca na adolescente: um nas costas, do lado esquerdo, e outro no peito, do lado direito. Ferida, Geovana tentou correr e pedir socorro, mas caiu e não resistiu.

O perito criminal Hewerton esteve no local e realizou os procedimentos necessários.

Após a perícia, o corpo da adolescente foi recolhido e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exames cadavéricos.

Veja vídeo:

A comoção tomou conta da comunidade, que tem manifestado apoio à família e exigido medidas enérgicas das autoridades. Organizações de direitos humanos e movimentos de proteção à mulher também demonstraram preocupação com o caso, destacando a necessidade de revisão no monitoramento de presos com tornozeleiras eletrônicas.

“Tirou a vida de uma criança de apenas 16 anos”, desabafa familiar de menor assassinada por ex-marido

Enquanto aguarda o parecer do Ministério Público e da Justiça sobre o caso, a família de Geovana reforça o apelo por justiça. “Não vamos descansar enquanto esse homem não pagar pelo que fez. Ele não pode ficar impune,” afirmou um dos tios da jovem.

O brutal assassinato de Geovana Souza da Silva, de 16 anos, ocorrido na madrugada do último sábado, 7, no bairro Areal, periferia de Rio Branco, deixou a comunidade em estado de choque. Foto: redação 

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Ministério Público pede anulação do júri que absolveu policiais do BOPE

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Promotor Carlos Pescador afirma que decisão foi contrária às provas do processo.

Policiais militares foram acusados por três homicídios e duas tentativas de homicídio. Recurso do MP deve ser julgado em 2025 pela Câmara Criminal

O Ministério Público do Acre (MPAC) anunciou que irá recorrer da decisão que absolveu os cinco policiais militares acusados de participação na morte de três pessoas e em duas tentativas de homicídio durante uma operação do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), no bairro Preventório, em Rio Branco, no ano de 2018.

O anúncio foi feito pelo promotor Carlos Pescador, ainda durante a leitura da sentença, no domingo (8). Segundo o representante do MP, o veredicto dos jurados foi contrário às provas apresentadas ao longo do processo. “Eu respeito a decisão dos jurados, mas não concordo. Vamos recorrer à Câmara Criminal”, afirmou Pescador.

Os policiais militares Antônio de Jesus Batista e Alan Melo Martins foram denunciados pelas mortes de Maria Cauane Araújo da Silva, uma menina de apenas 11 anos, e de Gleiton Silva Borges, além de serem acusados por duas tentativas de homicídio. Já o capitão da reserva Josemar Barbosa de Farias e os policiais Wladimir Soares da Costa e Raimundo de Souza Costa foram denunciados pela morte de Edmilson Fernandes da Silva Sales, apontado como o principal alvo da operação policial.

O julgamento teve início na quarta-feira (4) e só foi encerrado na noite de domingo (8), após cinco dias de intensas discussões e depoimentos. O Tribunal do Júri da Comarca de Rio Branco foi presidido pelo juiz Robson Aleixo, e o caso ganhou grande repercussão por envolver a morte de uma criança de 11 anos.

Com o anúncio do recurso, o MPAC tentará anular a decisão e solicitar um novo julgamento. A previsão é que o recurso seja analisado pela Câmara Criminal no ano de 2025. Segundo o Ministério Público, o objetivo é reverter a absolvição e assegurar que a análise das provas seja reavaliada por um novo corpo de jurados.

A operação que resultou nas mortes ocorreu no ano de 2018, no bairro Preventório, conhecido por ser uma área de grande vulnerabilidade social. Desde o início, a ação policial foi cercada de polêmicas e questionamentos sobre a conduta dos agentes de segurança. Agora, com o recurso anunciado, o caso poderá ganhar novos desdobramentos nos próximos meses.

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STF retoma julgamento sobre regulamentação de redes sociais na quarta

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Dias Toffoli foi o único a votar até o momento; próxima sessão terá o voto de Luiz Fux

O STF (Supremo Tribunal Federal) retoma nesta quarta-feira (11) o julgamento de ações que discutem a responsabilização das redes sociais no Brasil pelos conteúdos publicados por usuários. Essa será a quinta sessão da Corte para julgar o caso, e apenas o relator de uma das ações, o ministro Dias Toffoli, apresentou o voto.

O magistrado votou pela regulamentação das redes sociais e contra a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet. O julgamento vai ser retomado com o voto do outro relator, ministro Luiz Fux.

No voto apresentado ao longo de três sessões, Toffoli defendeu que a responsabilização seja feita após a notificação pelo usuário ou representante legal, como diz o artigo 21, e não mediante ordem judicial específica, como diz o artigo 19. Dessa forma, as plataformas assumem o risco de responsabilização pelo conteúdo a partir do momento que forem notificadas, e não apenas depois de não cumprir a ordem judicial.

“Uma vez declarado inconstitucional o artigo 19, a regra geral passa a ser a notificação e análise, e então a plataforma retira ou não retira”, resume.

A outra ação analisada trata sobre a responsabilidade de provedores de aplicativos ou de ferramentas de internet pelo conteúdo gerado pelos usuários e a possibilidade de remoção de conteúdos que possam ofender direitos de personalidade, incitar o ódio ou difundir notícias fraudulentas a partir de notificação extrajudicial.

  • crimes contra o estado democrático de direito;
  • atos de terrorismo ou preparatórios de terrorismos;
  • crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio e automutilação;
  • crime de racismo;
  • qualquer especie de violência contra a criança, adolescente ou vulneráveis de modo geral;
  • qualquer espécie de violação contra a mulher;
  • infração sanitária por deixar de executar, dificultar ou opor-se à execução de medidas sanitárias em situação de emergência em saúde pública de importância nacional;
  • tráfico de pessoas;
  • incitação ou ameaça da prática de violência física ou sexual;
  • divulgação de fatos notoriamente inverídicos ou gravemente descontextualizados que levem à incitação a violência física, ameaça contra avida ou a atos de violência contra grupos ou membros de grupos socialmente vulneráveis;

“Provedores interferem de forma preponderante no fluxo informacional, devendo responder pelos respectivos atos. […] É verdade que nessas hipóteses, os conteúdos continuam sendo de terceiros, mas ao recomendá-los ou impulsioná-los a um número indefinido de usuários, o provedor acaba se tornando corresponsável pela sua difusão”, completa.

Ao fim do voto, o ministro fez um apelo para que os poderes Legislativo e Executivo elaborem e implementem, em 18 meses, uma política pública voltada ao enfrentamento da violência digital e desinformação.

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