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Brasil

No Conversa Franca, delegado diz que o pior impacto da sonegação é o desequilíbrio socioeconômico causado

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O delegado de Polícia Civil, coordenador da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) e coordenador do Grupo de Enfrentamento aos Crimes contra a Ordem Tributária e Financeira (GECOT), Alcino Sousa, foi o entrevistado do podcast Conversa Franca desta sexta-feira, 24. De acordo com a autoridade policial, o crime de sonegação fiscal traz sérias consequências à sociedade.

“O pior não é só a sonegação. O pior é o desequilíbrio socioeconômico. Eu quebro toda uma estrutura de comercio e de indústria. O maior problema é esse”, disse o delegado ao afirmar que empresas que pagam corretamente seus impostos acabam prejudicadas, isso porque, ao final, o sonegador vende mais barato o produto, tornado o preço desleal.

Ele também afirmou que o encarceramento em si para este tipo de crime não resolve. É preciso rastrear os bens do criminoso e ‘repatriá-los’ aos cofres públicos, por meio de sequestro de bens e após isso colocá-los à venda em leilão.

“Nada adianta fazer o encarceramento e não repatriar esse recurso. Esse dinheiro retroalimenta a sonegação. Hoje mesmo conseguimos fechar um acordo de R$ 8 milhões recuperados para os cofres do estado. O encarceramento por si só não tem efeito quase nenhum, mas sim chegar até os bens e recuperar esses danos”, pontuou Alcino Sousa.

Ao falar sobre o perfil do criminoso que pratica sonegação fiscal, ele destacou que é um elemento acima de qualquer suspeita e que transita na sociedade. “São pessoas agradáveis, são em regra do nosso convívio, são pessoas bacanas, bem relacionadas. Quando se prende uma pessoa, a própria sociedade diz: ‘nossa, precisava prender?’. Ele está causando uma ausência das políticas públicas e você está criando criminosos que as pessoas têm raiva: esses que roubam celular na saída da faculdade”, alerta.

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