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No Acre, alunos praticam conhecimento de física e levam solidariedade a alagados e órfãos  

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Dinheiro arrecadado com a venda de doces, possibilitou a compra de material para confeccionar marmitas (Foto: Arquivo Pessoal)

Por Wanglézio Braga / Foto: Arquivo Pessoal

Um grupo de adolescentes da Escola Glória Perez, em Rio Branco, se destacaram por aliar conhecimento com atos de solidariedade. Tudo começou antes da pandemia do novo Coronavírus, em fevereiro de 2020, quando cerca de 50 alunos iniciaram um experimento aliando física, empreendedorismo e gastronomia sob a supervisão da professora Jucely Sarkis. O objetivo principal das aulas era mostrar como as leis da física estavam presentes no processo da produção de alimentos. Mais tarde, a teoria deu lugar a um projeto que beneficiou as crianças do Educandário Santa Margarida e a população atingida pela alagação.

Antes da pandemia, alunos produziam brigadeiros para vender na escola (Foto: Arquivo Pessoal)

“A gente começou com a teoria em sala de aula, depois passamos para a prática no laboratório e na cozinha. Nossos alunos fizeram brigadeiros e passaram a vender entre os colegas e o dinheiro arrecadado foi guardado. Veio essa pandemia e tivemos que suspender as aulas práticas, mas eles tiveram a ideia de continuar a produção de doces fazendo, desta vez, ovos de Páscoa para vender pela internet. Foi um sucesso! O dinheiro quadruplicou! Daí, a alagação chegou e o grupo pensou em levar um pouco de solidariedade às famílias atingidas”, relata Sarkis.

Com dinheiro conquistado, os alunos produziram marmitas com bolos, brigadeiros e bombons. No total, 50 kits foram distribuídos entre as famílias alojadas no Parque de Exposições e outros pontos de apoio. Por conta dos protocolos sanitários, agentes da Secretaria de Assistência Social foram os responsáveis pelas distribuições. “Foi muito importante a participação dos estudantes nessa parceria até porque conseguimos levar alegria para crianças que vivem em situação de vulnerabilidade. Foi ótimo! (…) Essa foi à única doação de estudantes que recebemos nesse período da alagação, espero que sempre ocorra”, frisa Samuel Wilrllad, representante da Secretaria de Assistência Social ao receber as guloseimas.

Os alunos, ainda muito influenciados pelo espírito da solidariedade, realizaram outra ação importante. O local escolhido, desta vez, foi o Educandário Santa Margarida que abriga crianças órfãs ou abandonadas pela família. O grupo também levou marmitas repletas de doces artesanais e brigadeiro, o que possibilitou momentos de alegria e descontração para as 38 crianças que vivem no local.

“O mais legal é que essa ação só foi possível, ainda, pelo dinheiro conquistado no ano passado. Ou seja, eles poderiam muito bem pegar o dinheiro e gastar com suas famílias ou da forma que quiserem, mais o pensamento foi outro, atitude positiva. Estamos planejando novas ações em breve, talvez com novos alunos, com novas turmas”, acrescenta Jucely.

Comentando os resultados obtidos, a professora não esconde a satisfação e o orgulho pela absolvição do conhecimento dos seus alunos e dos gestos humanitários que despertou neles. “O sentimento que tenho é de total orgulho. Muitos não gostam de física, isso é compreensível, mas à medida que eles aprendem as leis da física, aliando com o empreendedorismo, por meio de atividades eletivas, e ainda fazendo o bem, isso é pura motivação para nós, profissionais da educação, e seres humanos. Eu acredito que teremos uma geração bem melhor no futuro com pessoas que priorizam o próximo, que compartilham do sentimento do voluntariado. Eu ainda acredito que a educação muda a sociedade para melhor”, finaliza.

Professora fala do sentimento em poder ensinar física aos alunos e criar projeto solidário (Foto: Arquivo Pessoal)

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