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Motorista que atropelou e matou 3 no Acre é condenado a indenizar sobrevivente; ‘Não paga o que vivi’, diz vítima

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Decisão do 3º Juizado Especial Cível levou em conta prejuízos financeiros que a mulher teve com a destruição de sua motocicleta, além de danos morais

Talysson Duarte é apontado como o condutor da caminhonete que invadiu a pista contrária atingindo três motocicletas no AC. Foto: Arquivo pessoal

O autônomo Talysson Duarte, que dirigia a caminhonete que atropelou e matou três pessoas na Via Verde, em Rio Branco, em abril do ano passado, foi condenado a pagar mais de R$ 30 mil em indenização à única sobrevivente do atropelamento, Raiane Xavier. Duarte foi indiciado por homicídio culposo em setembro do ano passado.

Decisão do 3º Juizado Especial Cível levou em conta prejuízos financeiros que a mulher teve com a destruição de sua motocicleta, além de danos morais.

Conforme sentença da juíza Evelin Campos Cerqueira Bueno, da qual ainda cabe recurso, Duarte deverá pagar:

  • R$ 5.309,36 por danos materiais
  • R$ 25 mil por danos morais

“A gravidade dos fatos e suas consequências […] não pode ser ignorada. A imprudência e a imperícia do reclamado colocaram em risco a própria vida da autora, que sofreu lesões graves e teve sua integridade física e psicológica diretamente atingida”, citou o documento.

Ao reportagem, Raiane destacou que a indenização não se trata de um ganho, mas de uma tentativa de reparar o impacto que o acidente teve em sua vida.

“Nenhum valor paga o que eu vivi e continuo vivendo até hoje. Ainda sigo em tratamento, com consequências físicas e emocionais que permanecem todos os dias. O trauma, a dor, o medo e tudo o que enfrentei desde o acidente não têm preço”, lamentou.

Raiane Xavier sofreu um corte profundo na perna esquerda, ferimentos nos dedos e mãos. Foto: Arquivo pessoal

Neste acidente, morreram Macio Pinheiro da Silva, Carpegiane Lopes e Fábio Farias de Lima, sendo que o primeiro morreu ainda no local.

Duarte invadiu a pista contrária no km 132 da Via Verde, próximo à 3ª Ponte de Rio Branco, e atingiu as vítimas.

Laudo e fim da investigação

Carpegiane Lopes, Macio da Silva e Fábio Farias foram vítimas de acidente na Via Verde em abril de 2025. Foto: Foto cedida

Com mais de 40 páginas, um laudo elaborado em parceria entre as polícias do Acre e de São Paulo auxiliou a investigação do caso. Para descobrir toda dinâmica do acidente, as equipes utilizaram drones para mapear a região. Equipes do Departamento de Polícia Técnico-Científica e o delegado Karlesso Néspoli apresentaram um vídeo com a dinâmica do acidente

A simulação mostra o carro de Talysson Duarte descendo a ladeira na Via Verde e as três motocicletas, duas delas com reboque, no sentido contrário. Em certo momento, a caminhonete de Talysson gira na pista e sai desgovernada derrapando na estrada.

Simulação mostra como caminonete de Talysson Duarte atingiu as vítimas na Via Verde. Foto: Reprodução

A perícia não conseguiu detalhar a velocidade que a caminhonete de Talysson seguia no momento da batida. O delegado Karlesso Néspoli destacou que o fato da perícia não ter apontado a velocidade não interferiu na decisão de o indiciar por homicídio culposo.
“Foi constatado aqui pela polícia, tendo todos os dados, que ele perdeu o controle da caminhonete, deveria ter havido um cuidado maior na condução do veículo, estava numa curva, chovia e ainda era um declive. Então, deveria ter tido um cuidado maior para que não perdesse o controle. A velocidade, nós queríamos saber, porque queríamos saber 100% dos dados, mas isso não impossibilitou ter sido indiciado”, explicou.
Liberação incorreta

Na época do acidente, a Polícia Rodoviária Federal (PRF-AC) liberou Talysson Duarte do local do acidente sob a alegação de que havia risco à integridade dele por conta da revolta dos colegas de profissão das vítimas.

A decisão causou revolta nas redes sociais e críticas à polícia.

A PRF-AC chegou a negar favorecimento a condutor liberado e afirmou que o motorista fez o teste do bafômetro, que deu negativo, e apresentou a documentação necessária. A corporação contestou ainda a alegação de que o suspeito foi protegido por supostamente ser integrante de forças de segurança.

Talysson prestou depoimento sobre o acidente quase um mês depois. Na época, a namorada dele, Kaline Santana Matos, de 24 anos, estava na caminhonete no momento da batida e também prestou depoimento.

Segundo a defesa de Talysson, na época, a jovem confirmou que o namorado perdeu o controle do veículo e bateu nas motocicletas.

Nesta terça, o delegado responsável pelo caso voltou a confirmar que a decisão de liberar Talysson não foi correta.

“O rapaz deveria ter sido conduzido, o delegado que estivesse no plantão deveria ter feito as oitivas e acompanhado o caso. Porém, essa questão da saída dele não prejudicou a investigação e os dados que obtivemos. O delegado plantonista ia ouvir ele e liberar. Ele ia ser liberado de qualquer jeito”, confirmou.

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Estudante acreano de colégio militar alcança 960 na Redação do Enem: “o esforço realmente vale a pena”

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Ao ver a nota, André sentiu que todo o caminho percorrido havia valido a pena. “Fiquei feliz, aliviado e orgulhoso de todo o caminho até ali”, contou

André afirma que sempre encontrou forças para seguir em frente. Para ele, a nota 960 vai além do número: representa orgulho, superação e a confirmação de que o esforço diário pode transformar sonhos em resultados concretos. Foto: captada 

O estudante André Luiz Costa, aluno do Colégio Militar Estadual Tiradentes, em Rio Branco, conquistou 960 pontos na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e fez da nota um retrato fiel de esforço, disciplina e superação dentro da educação pública. O resultado é fruto de uma rotina marcada por estudos constantes, treinos de escrita e pelo apoio incondicional da família.

Ao ver a nota, André sentiu que todo o caminho percorrido havia valido a pena. “Fiquei feliz, aliviado e orgulhoso de todo o caminho até ali”, contou. Sempre estudante de escola pública, ele lembra que a preparação para o Enem exigiu dedicação diária, organização e muita persistência, além do incentivo familiar presente em cada etapa dessa trajetória.

Apesar do desempenho expressivo, André revela que nem sempre acreditou que seria possível chegar tão longe. Em alguns momentos, a dúvida apareceu, mas nunca foi suficiente para fazê-lo parar. A constância nos estudos e os treinos frequentes de redação, aliados à pesquisa de possíveis eixos temáticos, ajudaram a construir segurança para o dia da prova.

As redações eram corrigidas por professores e corretores de cursinho, e cada retorno era tratado como uma oportunidade de crescimento. Os erros, segundo ele, serviram como aprendizado para aprimorar a estrutura do texto, fortalecer os argumentos e ampliar o repertório sociocultural. O incentivo dos professores e da família foi decisivo para manter o foco ao longo do processo.

Mesmo diante de momentos de desânimo, André afirma que sempre encontrou forças para seguir em frente. Para ele, a nota 960 vai além do número: representa orgulho, superação e a confirmação de que o esforço diário pode transformar sonhos em resultados concretos, compartilhados com toda a família.

Com o desempenho no Enem, André Luiz Costa pretende cursar Direito. Aos estudantes da rede pública que ainda duvidam da própria capacidade, ele deixa uma mensagem simples e direta: é possível. Persistência, treino, leitura e prática constante de escrita, segundo ele, fazem a diferença e abrem caminhos reais para conquistas como essa.

Resultado reflete rotina de estudos, apoio familiar e incentivo de professores. Foto: Redes Sociais

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Pescador captura peixe-elétrico poraquê durante cheia do Rio Juruá em Cruzeiro do Sul

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Animal, cuja descarga pode ser fatal, foi retirado de área alagada no bairro Cruzeirinho para consumo próprio, mesmo com riscos.

Ao ser perguntado o que faria com o peixe, o pescador respondeu que iria tratar para o consumo próprio em casa. Foto: captada 

Durante a cheia do Rio Juruá, que alagou parte do bairro Cruzeirinho em Cruzeiro do Sul, um pescador capturou um peixe-elétrico da espécie popularmente conhecida como poraquê neste domingo, dia 18. O animal foi pescado nas águas escuras do Igarapé São Salvador, em área afetada pela enchente. Questionado sobre o destino do peixe, o homem afirmou que iria prepará-lo para consumo próprio.

O poraquê é capaz de gerar descargas elétricas perigosas, que em certas condições podem ser fatais para seres humanos. A cena chama a atenção para os riscos que moradores enfrentam ao interagir com a fauna em áreas alagadas, além dos impactos da própria enchente na região.

Pescador pega peixe eletrônico no quintal de sua casa para consumo próprio na água preta do São Salvador no bairro Cruzeirinho, em Cruzeiro do Sul. Foto: captada 

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Dívida de IPVA em atraso no Acre ultrapassa R$ 8,1 milhões nos últimos cinco anos

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Somente em 2025, débito lançado na Dívida Ativa chegou a R$ 1,25 milhão; PGE/AC executa devedores judicialmente

Contribuintes com débitos podem regularizar a situação para evitar ações judiciais e inclusão em restrições cadastrais. Foto: captada 

Com assessoria 

Os contribuintes acreanos que não pagaram o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) nos últimos cinco anos acumulam uma dívida de aproximadamente R$ 8,1 milhões com o Fisco Estadual. Apenas em 2025, o débito lançado na Dívida Ativa chegou a R$ 1.257.822,64. A Procuradoria-Geral do Estado do Acre (PGE/AC) vem adotando medidas judiciais para executar os devedores, após a inclusão dos nomes no cadastro oficial de inadimplentes.

A ação reforça a cobrança do imposto, cuja arrecadação é essencial para os cofres públicos. O estado possui atualmente mais de 363 mil veículos registrados. Contribuintes com débitos podem regularizar a situação para evitar ações judiciais e inclusão em restrições cadastrais.

Em 2020 foram gerados 6.642 processos que geraram uma dívida acumulada de R$4.167.004,88, enquanto no ano seguinte (2021) pulou para 8.730 processos, que correspondeu por um débito estimado em R$ 5.298.268,72. “É preciso considerar que parte desse valor está sujeito a revisão, caso o proprietário do veículo demonstre algum fato não conhecido no momento do envio do débito para inscrição em dívida ativa”, esclareceu o diretor de Arrecadação Tributária, Israel Monteiro, da Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz).

Destacou que a previsão de arrecadação com o IPVA nesse ano deve chegar aos R$ 165.000.000,00. No ano passado, a receita com o tributo chegou a R$157.312.868,39. Sendo R$ 101.301.720,03 (64,40%) de cota única; R$23.727.954,54 (15,08%) de parcelamento; R$ 9.733.836,57 (6,19%) do primeiro emplacamento dos novos carros e R$ 21.291.534,61 (13,53%) do exercício anterior. “Tivemos um pequeno incremento em comparação com a arrecadação do ano passado”, observou monteiro.

Apontou que IPVA poderá ser pago em cota única (com dez por cento de desconto) ou em até 5 (cinco) parcelas, nessa hipótese sem desconto, observado algarismo final da placa do veículo automotor, conforme Portaria Sefaz n 751/2025. Antecipou que parcela não pode ter valor inferior a R$ 50,00 (cinquenta reais).

Acre tem 363.294 veículos, mas a capital desponta com 209.472 veículos e o interior chega em torno de 153.822 veículos.  A dívida é bastante elevada de donos de motocicletas, que, em alguns casos, mudam para a zona rural e se esquecem de pagar o tributo. Em alguns casos, o contribuinte teve a moto furtada, mas ignora a exigência de procurar as agências da Sefaz para dar baixa na dívida existente.

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