Na última sexta-feira (18), ela apresentou alterações nos exames e, por segurança, foi levada para o Hospital da Criança para manter a estabilidade do quadro clínico.

Por Iryá Rodrigues

A adolescente boliviana de 14 anos, que viu a mãe e os dois irmãos serem mortos e também levou quatro tiros após ser estuprada por um acreano continua internada na UTI do Hospital da Criança de Rio Branco.

Uma cirurgia para retirada de balas e estilhaços que estava prevista desde a internação da menina no pronto-socorro da capital foi suspensa devido ao seu estado de saúde. A informação foi confirmada por uma amiga da família boliviana que tem dado suporte enquanto eles estão em Rio Branco.

Corpos foram achados na propriedade da família na área de fronteira — Foto: Arquivo/PM-AC

“Ela continua na UTI do hospital, está com uma infecção na garganta e no estômago e se alimentando através de sonda. Fez uma endoscopia que constatou essa infecção e agora ela não vai operar para a retirada das balas. Segundo o médico, foi cancelado e a prioridade agora é com relação ao braço dela. Quando ela melhorar e tiver em condições de fazer a cirurgia, vão fazer primeiro a do braço para fazer um enxerto de osso, já que está agora só com uns ferros que eles colocaram”, disse a mulher.

A menina já passou por uma cirurgia no braço no pronto-socorro de Rio Branco. Na última sexta-feira (18), ela apresentou alterações nos exames e, por segurança, foi levada para o Hospital da Criança para manter a estabilidade do quadro clínico.

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A direção do hospital confirmou que a adolescente segue na UTI da unidade, mas está sem respirador mecânico e o quadro é estável. Com relação à cirurgia, a informação é que, por enquanto, não há indicação de procedimento porque aguardam a evolução do quadro da paciente.

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A menina está acompanhada de um irmão que mora em La Paz, na Bolívia, e chegou ao Acre na quarta-feira (16) após a tragédia. A reportagem não conseguiu contato com ele. O pai chegou a passar dois dias com ela no pronto-socorro de Rio Branco, mas retornou para Bolívia para fazer contato com a polícia local, pois quer que o crime seja julgado no país vizinho.

O crime ocorreu no domingo (13), na área de fronteira entre o Acre e a Bolívia, depois que o pai da menina flagrou um acreano estuprando a filha e decidiu amarrá-lo para chamar a polícia.

Enquanto isso, parentes do suspeito de estupro apareceram e atacaram a família boliviana em sua propriedade, que fica perto das cidades de Acrelândia e Plácido de Castro, no Acre.

Após atirar contra a família, os suspeitos ainda queimaram a casa.

Prisões e apreensões

A Polícia Civil do Acre investiga o caso. Segundo o delegado Samuel Mendes, de Acrelândia, inicialmente dois homens foram presos em flagrante na segunda (14), mas um deles acabou sendo solto e o outro foi levado ao presídio de Rio Branco.

O delegado informou que ainda não há novidades sobre as investigações e que tenta localizar os demais suspeitos.

A Polícia Militar apreendeu um menor de 17 anos e conduziu duas pessoas investigadas pela morte da família para a delegacia de Acrelândia.

A PM foi até a propriedade da família dos suspeitos, que fica no interior do Acre, cumprir o mandado de internação do menor e um de prisão contra o suspeito do estupro, mas ele se escondeu na mata.

Duas armas de fogo que teriam sido usadas no crime foram apreendidas. Um casal foi levado para a delegacia novamente para esclarecer novos detalhes do crime.

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