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É público e notório os adversários políticos que mais incomodaram a atual gestão do Acre. Alguns mereceram até reprimendas publicadas oficialmente em jornais do Estado como foi o caso do deputado estadual Major Rocha(PSDB). Mas essa política de comunicação social do atual Governo provou ter efeito contrário. Os piores desafetos políticos do governador Tião Viana (PT) foram eleitos. Rocha teve uma votação surpreendente praticamente sem nenhuma estrutura de campanha. O agora deputado federal eleito levou rasteiras até de aliados e parecia carta fora do baralho. Terminou a eleição como o mais votado da oposição. A vereadora Eliane Sinhasique (PMDB), crítica feroz do alto valor do ICMS sobre as contas de energia, elegeu-se deputada estadual. O mais antigo rival da FPA, deputado federal Flaviano Melo (PMDB), conseguiu retornar pela terceira vez à Câmara. O prefeito de Cruzeiro do Sul, Vagner Sales (PMDB), considerado um dos mais perigosos adversários do atual “projeto” conseguiu um feito que parecia impossível. E elegeu a sua filha Jéssica Sales (PMDB) a deputada federal em apenas 40 dias de campanha. Agora, uma pergunta que não quer calar. Será que se Tião Viana conseguir a sua reeleição irá continuar com a mesma política “desastrada” de comunicação social?

Falem mal, mas falem de mim
O erro básico da atual gestão foi manter os adversários em evidência. Conseguiram vitimizar os desafetos e, portanto, fortalece-los diante de parte do eleitorado que tem rejeição ao atual modelo de Governo.

Absurdos dos absurdos
Quando cobri a inauguração da ponte sobre o Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, em 2011, alguns discursos no palanque foram dirigidos aos oposicionistas. No momento da festa, não conseguiram esquecer os desafetos e os levaram para cima do palanque. Lembraram ao povo da suas existências.

Melhor não cutucar a onça
Em outra ocasião quando o deputado federal Gladson Cameli (PP) rompeu com a FPA por um motivo facilmente contornável ouvi a seguinte frase: “se quiser voltar à FPA terá que pedir perdão de joelhos”. Gladson não se humilhou e foi o senador mais bem votado da história do Acre.

Conclusão
Muito da força e do bom desempenho de alguns oposicionistas foi alimentada pela própria FPA. Colocar em foco adversários é uma maneira de valoriza-los perante a opinião pública. A ferramenta de comunicação deveria ter sido usada para exaltar as realizações do Governo e não para desqualificar desafetos. O resultado está escrito nas urnas para quem quiser ver.

A ilha
O senador Jorge Viana (PT) terá que conviver com uma bancada acreana no Senado onde será a minoria. Os senadores Sérgio Petecão (PSD) e Gladson Cameli que são de oposição deverão criar muitas dores de cabeça ao Jorge.

Ternos reluzentes
Mas Jorge Viana mudou muito. Está mais acessível e diplomático. Uma curiosidade que ninguém sabe. O terno que Gladson usará na sua posse do Senado foi comprado numa loja em Paris indicada por Jorge Viana ao colega da bancada.

Erros fatais do PC do B
A derrota acachapante de Perpétua Almeida (PC do B) para Gladson revela erros de estratégia dos comunistas. Na eleição passada Edvaldo Magalhães (PC do B) tinha feito a melhor gestão da história da ALEAC. Tinha o mapa político do Acre nas mãos. Mas preferiu ficar a reboque das lideranças do PT e foi derrotado por Petecão.

A história se repetiu
Novamente o PC do B preferiu ser “arrastado” pelo brilho fugas dos “aliados”. Apesar de ter feito três excelentes mandatos como deputada federal, Perpétua, privilegiou o pedido de votos feitos por outros personagens. Um erro.

A hora de mudar
Se o PC do B tivesse se descolado mais do PT e optado por um caminho mais independente talvez tivesse tido uma melhor sorte. E o momento para isso ter acontecido foi no auge da gestão de Edvaldo na ALEAC.

Mais uma “carona”
Ouvi de um comunista histórico que o nome natural para ser vice do prefeito da Capital, Marcus Alexandre (PT), em 2016, será o de Perpétua Almeida. Ainda é cedo para tal debate. Mas vão tentar a jogada política para manter o PC do B em destaque. Será mais um erro, na minha avaliação.

Contradições do Cacique
Que o deputado estadual Moisés Diniz (PC do B) foi um dos mais atuantes da ALEAC não resta dúvida. No entanto, Moisés abraçou bandeiras furadas na atual legislatura. Telexfree e AcreCap provaram ser canoas furadas.

Quem ganha é a literatura
Moisés é um excelente escritor. Se depois da derrota para federal optar pelo caminho que sempre sonhou de dedicar-se à literatura quem sairá vitorioso são os leitores acreanos. O livro o Santo de Deus é um retrato bem desenhado da realidade “mística” dos rincões isolados do Acre.

Matemática furada
As lideranças da oposição calculam que faltam 77 mil votos para alcançarem Tião Viana no segundo turno. Na verdade, estão errando porque se juntarem com Bocalom (DEM) precisariam apenas de 1% a mais de votos para vencerem.

A realidade dos números
É muito simples a conta. Bittar unido a Bocalom, somada as votações, precisariam de 1%. O mesmo vale para a FPA. Faltou 0,27% para Tião Viana ganhar no primeiro turno. Se tiver 1% a mais leva a fatura.

Quem arrastou Bittar ao segundo turno
Se quiser ter alguma chance de vitória, o candidato ao Governo, Márcio Bittar deve fazer uma humilde reflexão antes de traçar seus próximos passos. Na minha avaliação, Bittar deve o feito de ter ido ao segundo turno aos seguintes fatores: o desempenho espetacular de Gladson nas urnas. A força e o empenho de Vagner e Antônia Sales no Juruá. E por último, a surpreendente virada de Aécio Neves (PSDB) na corrida presidencial.


 

Nelson Liano Jr é colunista político do sitio ac24horas

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