Oposição precisa ir além de Sinhasique

Por Itaan Arruda – A Gazeta

A inédita condição de presidir a Aleac torna mais fino o vidro que protege a vitrina do Partido dos Trabalhadores no Acre. Aos observadores mais atentos, ficará automática a cobrança dos preceitos básicos da atuação do Legislativo.

Deputada estadual eleita pelo PMDB do Acre, Eliane Sinhasique.
Deputada estadual eleita pelo PMDB do Acre, Eliane Sinhasique.

Um deles (e dos mais elementares) é a fiscalização do Executivo. Uma pergunta óbvia que pode ser feita é: Ney Amorim terá credibilidade e pulso firmes necessários para fiscalizar o Executivo?

Como isso será feito se há um controle efetivo do parlamento por parte da Casa Rosada há, pelo menos, 16 anos? Será um petista na presidência da Aleac a transgredir essa lógica?

É certo que a responsabilidade pelo crescimento petista pode ser creditada à própria oposição. Quando a deputada eleita Eliane Sinhasique (PMDB) vocifera que “a Assembleia Legislativa não pode ser uma sucursal do Palácio Rio Branco” estão ditos não apenas a subserviência do Legislativo, mas também o desafio a ser superado pelos partidos de oposição.

Um questionamento que o leitor deve se fazer tem duas palavras: “Por quê?”. Essa é a pergunta: Por que somente agora, depois de quatro mandatos no Governo do Acre, o PT pleiteia efetivamente a presidência da Aleac? Quais ausências e lacunas foram sendo deixadas abertas em que o partido foi construindo suas conquistas?

Que cenário político foi construído nos últimos anos que permitiu ao Partido dos Trabalhadores galgar tantos cargos importantes? Com destaques para os cinco parlamentares estaduais; três federais, vice-governador e governador. Sem contar três conselheiros de Contas que foram gestados no partido.

Uma ressalva, no entanto, precisa ser feita: o PT do Acre não pode ser responsabilizado por crescer. Nenhum partido, aliás, pode ser criticado por crescer. É a lógica da política. Partidos querem poder. Alimentam-se disso. Buscam isso a todo instante.

Portanto, o que chama atenção no exemplo acriano não é o crescimento do PT em si, mas a forma como ele tem se concretizado, diante da anestesia oposicionista. No primeiro mandato de Jorge Viana, época do bem comportado presidente da Aleac Sérgio Petecão, ainda havia dois nomes de destaques da oposição: João Correia, Luiz Calixto (com o tucano Luiz Gonzaga jogando de acordo com a conveniência).

Depois disso, veio Wherles Rocha (e os rompantes de Antonia Sales). Agora, é a vez de Eliane Sinhasique. Esses soluços de oposição não têm oferecido segurança na opinião pública; não tem convencido o cidadão de forma plena.

O eleitor já deu demonstrações claras de que almeja mudança. Só não conseguiu encontrar ainda um representante adequado para a missão. Mesmo com todas as facilidades e tropeços nas próprias canelas que Tião Viana tem oferecido, a oposição não soube aproveitar o cenário com inteligência.

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