A greve dos servidores dos Correios, deflagrada nesta terça-feira (18), pode chegar ao fim na sexta (21) caso o Supremo Tribunal Federal (STF) atenda a demanda da categoria.

Um acordo coletivo firmado entre trabalhadores e governo federal em 2019 atendeu uma série de reivindicações dos servidores. O pacto tinha, a princípio, validade de um ano. No entanto, uma decisão da Justiça obrigou o Estado a estender o prazo para dois anos.

Porém, os Correios obtiveram nos últimos dias uma liminar que pôs fim às quase 70 cláusulas do acordo, fazendo valer o prazo inicial de um ano, já esgotado. O que os ministros do STF julgam neste momento é a validade dessa liminar.

Se os magistrados optarem por manter a decisão favorável ao governo, a greve segue por tempo indeterminado, explica a presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa de Correios e Telégrafos do Acre (Sintect-AC), Suzy Cristiny.

Se o STF derrubar a liminar, o acordo passará a valer por mais um ano e a paralisação será encerrada em todo o Brasil.

O pacto entre trabalhadores dos Correios e governo trata, entre outros pontos, de valores referentes a vale alimentação, plano de saúde, férias, salários e fundo de pensão.

Para Cristiny, o governo tem enfraquecido a categoria com o intuito de enxugar gastos e prejudicar os trabalhos para, finalmente, vender a ideia de que a privatização é a alternativa para melhorar a qualidade do serviço. “O objetivo é muito claro”, comenta.

Plano de saúde

Uma das reclamações da categoria é sobre o plano de saúde oferecido pelos Correios. O que antes era gratuito, desde 2018 passou a ter metade do seu valor pago pelos próprios trabalhadores.

Como consequência, milhares deixaram de utilizar o serviço por falta de condições financeiras para quitar sua parte. Suzy lamenta que os planos fizeram falta na vida de muitos colegas com a chegada da pandemia de coronavírus, que vitimou cerca de 100 profissionais da empresa em todo o Brasil.

“O serviço que os Correios desenvolve já estava precarizado há tempos, mas por culpa do governo. Isso faz parte do processo de extinção da estatal. Nós lutamos pelo oposto: o fortalecimento da empresa enquanto órgão público”.

A sindicalista considera que os Correios públicos têm uma função social que se perderia caso passasse para a iniciativa privada.

“Moradores das cidades mais distantes seriam diretamente afetados caso vendessem a estatal. Ou você acha que uma empresa privada tem interesse de ir para municípios pequenos e do interior?”, questiona.

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