Fábio PontesA classe de jornalistas do Acre vive hoje talvez um dos piores momentos de sua história. Pode não ser pior do que os tempos sombrios do coronel Hildebrando Pascoal. Não vivi este momento tenso, mas pelos relatos que ouvi de colegas na redação dá para ter uma noção de como era difícil exercer o jornalismo então.

Mas hoje a situação não é a das melhores. A diferença é que não temos as redações invadidas pelo coronel e seus capangas, nem jornalistas sofrendo ameaças de morte e sendo obrigados a engolir as edições dos jornais. Mas sofremos as mesmas perseguições dos donos do poder e intimidações.

O caso dos tapurus exemplifica bem isso. Jornalistas estão sendo tratados como bandidos por terem exercido sua função constitucional de denunciar problemas na refeição servida em um hospital público do Acre. Um secretário de Comunicação de forma insana e desequilibrada praticamente acusou os profissionais de terem montado a cena, colocando os vermes (tapurus) dentro das marmitas.

Não é de hoje que o autointitulado jornalista Leonildo Rosas (que nunca concluiu sua graduação na Ufac) difama e ataca a honra dos verdadeiros jornalistas que tentam (às duras penas) exercer o jornalismo fiscalizador. Ele fala que os profissionais atuam sem ética, a mesma ética que lhe falta ao usar dinheiro público para tirar do cidadão a liberdade de imprensa e expressão.

Os jornalistas no Acre hoje não contam com um sindicato por conta do sufocamento realizado pelo governo. O presidente e vice do Sinjac renunciaram por ocuparem funções confortáveis em cargos públicos –um na prefeitura petista e outra na Assembleia Legislativa também petista. O resto da diretoria…bem, esta está muito bem acomodada no gabinete do governador.

Estamos desde maio sem reajuste salarial porque não há quem negocie com os patrões. Vamos entrar em 2014 acumulando perdas de 2012, 2013 e 2014 certamente também não teremos nada. Enquanto isso os líderes sindicais estão com seus gordos salários na estrutura do Estado.

Para piorar jornalistas são levados para depor numa delegacia de combate ao crime organizado, a mesma que não combateu uma quadrilha que surrupiava os cofres do Acre, sendo preciso a intervenção da Polícia Federal –Operação G7. Diante de tanta pressão, a jornalista Lenilda Cavalcante sofreu um acidente vascular cerebral (AVC).

E agora, o sindicato vai prestar alguma solidariedade? O desequilibrado Leonildo Rosas pedirá desculpas ao povo do Acre por suas atitudes débeis? O Acre vive um momento perigoso em sua democracia. Estamos a caminho do abismo, a população parece estar dopada (por um Bolsa Família) e o colapso social e econômico está a porta.

Que em 2014 ocorram as mudanças tão necessárias para tirar o Acre do fundo do poço

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