Captura de Tela 2014-04-24 às 10.07.53Da Folha de São Paulo

A secretária de Justiça do Estado de São Paulo, Eloisa Arruda, chamou de “irresponsável” a conduta do governo do Acre ao facilitar a vinda de 400 haitianos para São Paulo nos últimos 15 dias.

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) reclama que não houve comunicação entre as autoridades acreanas -o Estado é governado por Tião Viana (PT)- e paulistas.

“Quero demonstrar a minha preocupação e indignação”, afirmou ontem Eloisa Arruda à Folha.

Para ela, existe um risco real dos imigrantes do Haiti serem aliciados para trabalho escravo ou até mesmo pelo tráfico de drogas.

A reportagem esteve ontem na paroquia Nossa Senhora da Paz, no bairro do Glicério, região central da capital, e presenciou a situação precária dos haitianos.

Eles passam o dia vagando pelo entorno da igreja. A comida só chega por doações.

Como muitos não têm documentação e endereço fixo na cidade, fica praticamente impossível arrumar um emprego formal.

Haitianos que estão há mais tempo em São Paulo tentam auxiliar os compatriotas recém-chegados a encontrarem emprego e estadia.

O fenômeno não é novo. Por causa dos sérios problemas sociais do Haiti, há pelo menos três anos, a onda migratória daquele país em direção ao Brasil é grande.

O secretário do Acre Nilson Mourão, também da pasta de Justiça e Direitos Humanos, afirma “que não entende a postura do governo paulista”.

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ENTRADA

Segundo ele, há três e anos e meio, mais de 20 mil haitianos chegaram ao Acre.

“Eles não ficam aqui. É apenas uma porta de entrada. A maioria segue viagem rumo ao sul do país”, afirmou Mourão ontem à Folha.

“Esse processo não tem nada de novo”, acrescentou.

O secretário afirma que, nos últimos 15 dias, após o fechamento de um abrigo para haitianos na cidade de Brasiléia, perto da Bolívia e do Peru, o governo do Acre ficou obrigado a acelerar a ida dos imigrantes para os seus destinos finais no Brasil.

“Nós chegamos no limite. A cidade de Brasiléia, de 10 mil habitantes, está com 20% da sua população formada por imigrantes”.

Para Mourão, o Estado de São Paulo, “o mais rico da federação”, tem total condições de abrigar os 400 haitianos que acabaram de chegar.

Segundo o governo paulista, o Ministério Público do Trabalho foi acionado e está cadastrando os haitianos que desembarcaram na capital nos últimos dias.

“Existe apenas 100 na Missão Paz. Não sabemos onde está o resto”, disse Eloisa.

 

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