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Brasil

Criação de empregos em janeiro foi a pior para o mês em quatro anos; economistas culpam governo

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País fechou o primeiro mês com 83.297 novos empregos formais; número é o menor desde que o novo Caged entrou em vigor

83.297 novas vagas de trabalho com carteira assinada foram criadas em janeiro, menor número desde 2020
ADRIANA TOFFETTI/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO-17/02/2023

O Ministério do Trabalho e Emprego informou nesta semana que o Brasil abriu 83.297 novas vagas de trabalho com carteira assinada em janeiro, segundo dados do Novo Caged (Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados). Esse é o pior índice para o mês desde que o sistema mudou a metodologia para analisar os dados de empregos formais no país, em 2020. Na avaliação de especialistas, a postura do governo federal influenciou para o resultado.

Nos últimos três anos, a criação de empregos formais em janeiro foi de 117.245 (em 2020), 250.318 (em 2021) e 167.269 (em 2022). Na comparação com os números de 2022, a geração de postos de trabalho com carteira assinada em janeiro deste ano caiu pela metade, 50,2%.

O saldo de empregos criados é obtido a partir da diferença entre a quantidade de admissões e a de demissões no mês. Em janeiro, o Novo Caged contabilizou 1,87 milhão de contratações e 1,79 milhão de desligamentos. O dado referente às demissões foi o maior para o mês em quatro anos, segundo as estatísticas do sistema.

Em 2020, o país contratou 1,5 milhão de pessoas e demitiu 1,38 milhão. Em 2021, houve 1,7 milhão de admissões e 1,45 milhão de desligamentos. E em 2022 o Novo Caged registrou 1,85 milhão de contratações e 1,68 milhão de demissões.

O professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) Alberto Ajzental diz que a queda na quantidade de novos postos de trabalho e a alta no número de demissões em relação ao início de 2022 são reflexo do desempenho do PIB, que está em ritmo de desaceleração. No ano passado, o resultado até foi positivo, com crescimento de 2,9%, mas o desempenho da economia foi caindo ao longo de cada um dos quatro trimestres.

Na avaliação dele, outro fator que contribui para que menos empregos sejam gerados é a falta de um plano econômico para o país. Segundo Ajzental, a atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não demonstrou como pretende alavancar a economia nacional, o que gera incertezas para os agentes envolvidos no mercado de trabalho.

“O Executivo federal não deixou de forma clara e não mostrou qual é a sua meta e o que pretende fazer para equilibrar as contas do governo. Estourou o teto em R$ 200 bilhões e só está mostrando que vai gastar. Por isso, todos estão preocupados, sobretudo os principais agentes econômicos, como o empresário que investe e cria oportunidades de emprego”, analisa.

Além disso, o professor diz que o governo tem gerado instabilidade com o mercado financeiro, sobretudo pelas críticas de Lula à atuação do Banco Central. Segundo Ajzental, isso também atrapalha o cenário do emprego no país.

“Não é com palanque, com retórica e com bravata que se coloca a economia nos eixos. Isso é feito com projetos e muita transparência, explicando para a sociedade. Não é só brigar com o Banco Central que as coisas vão se resolver. Quando há briga, é porque o governo faz uma cortina de fumaça para desviar a atenção e não mostrar à sociedade o que pretende fazer para o Brasil.”

O economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, acrescenta que o cenário do emprego no país pode melhorar caso o novo arcabouço que vai substituir o teto de gastos — norma que proíbe o aumento de despesas públicas acima da inflação — permita que a política fiscal trabalhe junto com a política monetária.

“Mas, enquanto o governo gastar mais do que estiver arrecadando, gerar déficit primário, atacar gratuitamente o Banco Central e criar instabilidade na economia e na política, teremos menos investimentos e menos geração de empregos. O governo precisa fazer a sua parte e proporcionar um ambiente estável, sem crises desnecessárias.”

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STF derruba lei do DF que autorizou parcelamento de multas de trânsito

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Maioria seguiu entendimento do ministro Ricardo Lewandowski

 

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou hoje (24) maioria de votos para considerar inconstitucional a lei do Distrito Federal que permitiu o parcelamento de multas de trânsito em até 12 vezes no cartão de crédito. 

O julgamento ocorre no plenário virtual da Corte, modalidade na qual os ministros inserem os votos no sistema e não há deliberação presencial. A votação vai até às 23h59.

Até o momento, oito ministros votaram pela inconstitucionalidade da Lei n° 5.551/2015, de autoria da então deputada distrital Celina Leão, atual vice-governadora.

A maioria seguiu entendimento do ministro Ricardo Lewandowski, relator do caso. No voto apresentado, o ministro reconheceu a “boa intenção” da lei ao propor o parcelamento, mas afirmou que a norma é inconstitucional por invadir a competência da União para legislar sobre a matéria.

“Entretanto, as normas impugnadas na presente ação, sobre possibilidade de parcelamento de multas de trânsito, de efetuação de pagamento por cartão de crédito ou débito, estão eivadas de vício de inconstitucionalidade formal”, justificou o ministro.

O voto foi seguido pelos ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cármen Lúcia, Edson Fachin, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Luís Roberto Barroso.

A ação foi proposta em 2020 pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Edição: Claudia Felczak

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Dilma Rousseff é eleita presidente do Banco do Brics

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Cerimônia de posse ocorrerá durante viagem de Lula à China

Brasília (DF) – Dilma Rousseff é eleita por unanimidade presidente do Banco do BRICS. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

A ex-presidente da República Dilma Rousseff foi eleita nesta sexta-feira (24) presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB na sigla em inglês), também conhecido como Banco do Brics. Ela substitui Marcos Troyjo, ex-secretário especial do antigo Ministério da Economia, que ocupava o posto desde julho de 2020.

Dilma presidirá o NDB até julho de 2025, quando acaba o mandato do Brasil no comando da instituição financeira, que tem sede em Xangai, na China. Está prevista uma cerimônia oficial de posse de Dilma para o fim da próxima semana, durante a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China.

Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, do nome em inglês New Development Bank), formado pelos países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul)
Sede do NDB (Banco do Brics), que será comandado pela ex-presidente Dilma Rousseff – Reuters/Bai kelin/Direitos Reservados

Embora o banco tenha anunciado a substituição de Troyjo por Dilma no último dia 10, a eleição no Conselho de Administração do banco só ocorreu nesta sexta-feira. Cada país do Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – preside o banco por mandatos rotativos de cinco anos.

“Como presidente do Brasil, Dilma Rousseff concentrou sua agenda em assegurar a estabilidade econômica do país e a criação de empregos. Além disso, durante seu governo, a luta contra a pobreza teve prioridade, e os programas sociais iniciados sob os mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram expandidos e reconhecidos internacionalmente. Como resultado de um dos mais extensos processos de redução de pobreza da história do país, o Brasil foi removido do Mapa da Fome das Nações Unidas”, destacou o NDB em nota.

O comunicado também lembrou que, durante seu governo, Dilma promoveu o respeito à soberania dos países e a defesa do multilateralismo, desenvolvimento sustentável, direitos humanos e paz. O texto ressaltou que a ex-presidente expandiu a cooperação com vários países da América Latina, África e Ásia, participou da fundação do NDB em 2014 e teve presença decisiva no Acordo de Paris sobre o meio ambiente em 2015.

Desafios

Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a futura presidente do Banco do Brics terá oportunidade de ampliar a inserção internacional na instituição, mas enfrentará dois grandes desafios: impulsionar projetos ligados ao meio ambiente e driblar o impacto geopolítico das retaliações ocidentais à Rússia, um dos sócios-fundadores.

Criado em dezembro de 2014 para ampliar o financiamento para projetos de infraestrutura e de projetos de desenvolvimento sustentável no Brics e em outras economias emergentes, o NDB atualmente tem cerca de US$ 32 bilhões em projetos aprovados. Desse total, cerca de US$ 4 bilhões estão investidos no Brasil, principalmente em projetos de rodovias e portos.

Em 2021, o Banco do Brics teve a adesão dos seguintes países: Bangladesh, Egito, Emirados Árabes Unidos e Uruguai.

Edição: Nádia Franco

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ANS suspende comercialização de 32 planos de saúde

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Proibição entra em vigor no dia 29 de março

Plano de saúde

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) suspendeu a comercialização de 32 planos de saúde de oito operadoras por causa da grande quantidade de reclamações nos últimos três meses de 2022.

A proibição do ingresso de novos clientes nesses planos entra em vigor no dia 29 de março, e terá duração de três meses.  De 1º de outubro de 2022 a 31 de dezembro de 2022, a ANS recebeu 42.043 reclamações, que tratam de descumprimento dos prazos máximos para consultas, exames e cirurgias ou negativa de cobertura assistencial.

No total, os planos suspensos atendem 436.526 usuários.

A agência autorizou o retorno da venda de sete planos de duas operadoras, por não apresentarem mais risco de falhas na assistência à saúde aos beneficiários.

A ANS faz um monitoramento e avaliação das operadoras a partir das queixas registradas pelos usuários. Os planos com grande quantidade de reclamações têm a venda suspensa e são reavaliados trimestralmente. Aqueles que sanarem as falhas são liberados a comercializar novamente.

 

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