O Estado de S. Paulo

Levantamento da Press Emblem Campaign registra 128 mortes de profissionais em todo o mundo; Gaza concentra maior número

GENEBRA – O Brasil foi em 2014 um dos dez países mais perigosos para um jornalista atuar e, em cinco anos, registrou o sexto maior número de assassinatos entre os profissionais da imprensa no mundo. O alerta é da entidade Press Emblem Campaign (PEC), que compila todos os anos o número de mortes entre jornalistas em atividade.

Para 2014, a instituição aponta para 128 jornalistas assassinados, uma marca muito próxima do recorde de 2013, quando 129 profissionais foram mortos. Gaza lidera a lista, com 16 mortes durante as operações de Israel. Na Síria, foram outros 13 jornalistas mortos, contra 12 no Paquistão.

O Iraque vem na quarta posição, com dez mortos em 2014, ano da operação contra as milícias islâmicas.

Fora da região, o país mais violento é a Ucrânia, com nove mortos em 2014. Segundo a entidade, jornalistas russos também foram assassinados.

Depois de México, Afeganistão, Honduras e Somália, o Brasil aparece na lista com quatro mortos em 2014. Ao lado da República Centro Africana, o Brasil é o décimo mais perigoso do ano.

Neste ano, perderam a vida trabalhando os profissionais Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, Pedro Palma, José Lacerda da Silva, da TV Cabo Mossoró, e Geolino Xavier, da TV N3, da Bahia.

Desde 2009, porém, o Brasil acumulou 31 mortos entre os jornalistas, o que coloca o país como o sexto mais violento.

“2014 foi um ano terrível para os jornalistas”, declarou o secretário-geral da entidade,  Blaise Lempen. Ele destacou que não apenas os profissionais foram mortos, mas alguns deles tiveram sua execução filmada e difundida.

A região mais perigosa continua sendo o Oriente Médio, com 46 mortos, seguido pela Ásia, com 31, e América Latina com 27.

Em nove anos de levantamentos, a PEC registrou 1.038 mortes. Isso representa 2,4 jornalistas assassinados por semana no mundo.

 

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