Em suas duas décadas de domínio hegemônico do poder no Acre, o PT já enfrentou vários adversários que tentaram lhe derrotar. Os mais fortes nesse duelo foram o MDB de Flaviano Melo e o PSDB, à época, capitaneado por Tião Bocalom.

As duas legendas saíram do papel principal e passaram a ser coadjuvantes. Na linha de frente, agora, está o Partido Progressistas, ou simplesmente Progressistas.

Na atual moda de mudança de nome das siglas como tentativa de amenizar os danos causados pela Lava Jato, as legendas passam uma maquiagem para se apresentar melhor ao eleitorado.

Junto com o PT e o PMDB (melhor dizendo, MDB), o PP formava a trinca de partidos que liderava o esquema de corrupção dentro da Petrobras.

No Acre, os progressistas são liderados pelo senador Gladson Cameli, a sua principal e única liderança expressiva.

Até 2012 o PP estava no colo do PT, formando a Frente Popular do Acre (FPA). Percebendo que não tinha condições de alçar voos mais altos por conta do domínio dos irmãos Viana, o então deputado federal Gladson Cameli rompeu com o grupo de olho na disputa ao Senado, dali dois anos.

Herdeiro do espólio político do tio, o ex-governador Orleir Cameli (1995-1998), morto em 2013 vítima de câncer, Gladson caiu no gosto popular, visto como a jovem liderança da política acreana.

Desde sua eleição ao Senado, em 2014, com uma vitória acachapante sobre a candidata do governo, Perpétua Almeida (PCdoB), Gladson assumiu de vez as rédeas da oposição, tirando de cena as velhas figuras do grupo, incluindo Bocalom, o que mais chegou perto, em 2010, de tirar o PT do Palácio Rio Branco.

As urnas nem bem tinham sido fechadas quatro anos atrás e Gladson já era apontado como o governador eleito em 2018. Os oposicionistas ainda buscavam um acordo de paz interno para chegarem vivos ao fim do segundo turno entre Márcio Bittar, então no PSDB, e Sebastião Viana (PT).

A reeleição do petista reforçou ainda mais a figura de Gladson Cameli como o grande nome da oposição em 2018. PSDB e MDB, que até bem pouco tempo tinham grande poder de barganha, precisaram buscar um novo lugar ao Sol.

Os tucanos agora são vice na chapa encabeçada pelo PP; o MDB até chegou a bater o pé pela cadeira, mas se conteve com Bittar para o Senado.

Apesar de ainda ter muitos cabelos pretos, Gladson Cameli conseguiu realizar o que os cabeças brancas foram incapazes: unificar a oposição.

Os petistas sempre acusaram os adversários de ser um “balaio de gatos” por, a cada aproximação de eleição, irem às farpas na disputa por espaços.

O progressista, como numa tacada de mestre, conseguiu colocar cada peça no seu devido lugar. O principal problema resiste em  Bocalom, que não aceitou ser retirado da presidência do Democratas e alimenta a candidatura do policial militar Ulysses Araújo.

O coronel do PSL tenta surfar na onda de popularidade do presidenciável Jair Bolsonaro. Conforme a última pesquisa Delta, essa transferência não ocorreu até o momento.

Dentro da oposição os progressistas são os mais estruturados. A possibilidade de vencer a eleição tem atraído muitos aliados. A fadiga dos 20 anos de petismo também ajuda o jovem Gladaon, que, com sua imagem, ofusca todos os problemas que envolvem seu partido no plano nacional.

O carisma do senador faz até os acreanos se esquecerem do governo de seu tio, marcado por escândalos de corrupção e má gestão na administração do Estado. Essa será a principal tática dos petistas: relembrar o governo Orleir Cameli.

Essa longeva sustentação do PT no poder, contudo, deve-se ao apoio da própria família Cameli no Vale do Juruá, a região que concentra a maior resistência ao vianismo no Acre.

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