Índice de 358,8 pessoas testadas para cada 100 mil é visto como excelente para que o estado saiba com precisão onde os focos de contaminação se localizam

Resley Saab

Levantamento mineiro revela que o Acre é o terceiro estado que mais testa seus habitantes para Covid-19, atrás apenas do Amapá e do Espírito Santo. No Acre, já foram feitos mais de 350 testes para cada 100 mil habitantes, enquanto que para efeito de comparação, o Mato Grosso só testou 62,5 pessoas para a mesma centena.

Técnica do Laboratório Rodolphe Mérieux, que funciona no interior do Centro de Infectologia Charles Mérieux, em Rio Branco, trabalha na produção de exames chamados de PCR; é de onde sai a maioria dos diagnósticos; o outro laboratório é o Lacen-AC Foto: Odair Leal/Secom

A conclusão é de cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com base em informações das secretarias de saúde estaduais de todo o país referentes ao período entre janeiro e a primeira semana de maio.

Os pesquisadores da Força-Tarefa da Covid-19, da Faculdade de Medicina da UFMG, levantaram, por exemplo, que enquanto Minas Gerais testou apenas 47,8 pessoas a cada 100 mil habitantes, no Acre esse índice foi de 358,8 pessoas testadas.

Técnico do Pronto-Socorro demonstra como é feita a coleta de amostras para que o exame de PCR seja realizado; Acre é o terceiro que mais testa sua população no país Foto: Junior Aguiar/Secom

O cenário do Acre, visto como muito positivo pelas autoridades em saúde que lidam com a pandemia no país, permite que o governo local, por meio da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), saiba, como poucos estados, onde se concentra o maior número de casos da doença, podendo traçar medidas para conter a expansão do coronavírus.

Técnica do Laboratório Rodolphe Mérieux, que funciona no interior do Centro de Infectologia Charles Mérieux, em Rio Branco, trabalha na produção de exames chamados de PCR Foto: Odair Leal/Secom

O estudo foi entregue nesta semana às autoridades governamentais mineiras como alerta de que a flexibilização ao isolamento social, no momento em que o estado se encontra, sem um diagnóstico real de quantos são os infectados, pode ser muito perigoso para acarretar a expansão da Covid-19 no estado.

Nas testagens, o estado do Acre fica atrás apenas do Amapá, cujo índice é de 486,1 pessoas testadas a cada 100 mil habitantes, e do Espírito Santo, com 376,5 pessoas submetidas a testes, a cada 100 mil.

Técnicos do Laboratório Rodolphe Mérieux trabalham sob a supervisão do diretor do Centro de Infectologia Mérieux, médico Andreas Stokcer; é daqui que sai a maioria dos diagnósticos de Covid-19 no estado; o outro laboratório é o Lacen-AC Foto: Odair Leal/Secom

Para a médica Claudia Regina Lindgren Alves, que integra a equipe da Força-Tarefa da Covid-19 na UFMG, números como o do Acre permitem, por exemplo, que as autoridades em Saúde possam planejar onde devem investir mais em medidas de prevenção e de combate à doença, e onde podem pensar na flexibilização, com abertura gradual de comércios e outros serviços em situações futuras.

O entendimento da pesquisadora é de que o afrouxamento das medidas de isolamento pelo governador mineiro Romeu Zema (Novo), nesta semana, poderá prejudicar ainda mais o combate à doença. Minas Gerais ocupa o nono lugar em números de testagens, com apenas 47,8 pessoas a cada 100 mil habitantes, ou seja, dez vezes menor que o primeiro da lista.

Técnica de uma unidade para Covid-19 de Rio Branco chega com coletas, no isopor, ao Mérieux; as amostras serão analisadas e transformadas em exames do tipo PCR Foto: Odair Leal/Secom

“Nós, de Minas, estamos testando apenas as pessoas em estado grave e os nossos profissionais de Saúde. De modo, que fora isso, não temos nenhuma informação a mais sobre como está a situação da nossa população. E isso é muito ruim”, lamenta Lindgren Alves.

Conforme o secretário de Estado de Saúde do Acre, Alysson Bestene, os números refletem o trabalho árduo, mas necessário, de todos os técnicos da pasta engajados em realizar a testagem do maior número de pessoas possível.

Levantamento mineiro revela que o Acre é o terceiro estado que mais testa seus habitantes para Covid-19, atrás apenas do Amapá e do Espírito Santo Foto: Odair Leal/Secom

“É claro, que uma vez ou outra, temos que reduzir as testagens por estoque baixo, mas isso não é nenhum segredo, e a verdade é que nos preocupamos muito em testar as pessoas e reitero que temos também um grande trunfo que é o trabalho do Laboratório Rodolphe Mérieux e mais recentemente, do Laboratório Central de Saúde Pública, o Lacen, instituições que produzem esses exames”, afirma Bestene. O Mérieux foi doado pela fundação francesa de mesmo nome ao Governo do Estado do Acre, que assumiu todo o seu funcionamento, incluindo o gerenciamento de seus técnicos.

Os boletins epidemiológicos diários e outros recursos de informação da Sesacre à imprensa e à população também permitem saber, claramente, o número de testados,  de casos descartados, positivos e em análise, entre outros dados importantes, fazendo com que o Acre ficasse em segundo lugar no país no ranking da transparência para o combate da pandemia no Brasil.

Técnica do Laboratório Rodolphe Mérieux, que funciona no interior do Centro de Infectologia Charles Mérieux, em Rio Branco, trabalha na produção de exames chamados de PCR; é daqui que sai a maioria dos diagnósticos; o outro laboratório é o Lacen-AC Foto: Odair Leal/Secom

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